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Caso Portucale

Portucale: Nobre Guedes admite que poderia não ter assinado despacho

24 mar, 2011

O antigo ministro do Ambiente e ex-dirigente do CDS-PP garante que tudo foi feito à luz da lei.

Ao segundo dia de depoimento no julgamento do caso Portucale, Luís Nobre Guedes disse hoje que não se arrepende de ter assinado o despacho que deu “luz verde” ao empreendimento, mas, politicamente, reconhece que não o deveria ter feito já depois das eleições.

O ex-ministro do Ambiente admitiu em tribunal que o despacho do empreendimento Portucale chegou a ser alterado depois do Grupo Espírito Santo, promotor da obra, ter alertado para alegadas irregularidades, que acabaram por ser corrigidas.

Ouvido como testemunha, o ex-dirigente do CDS-PP garante que tudo foi feito à luz da lei e sublinhou que, se soubesse que o abate de sobreiros seria rápido, a sua decisão seria diferente, não por uma questão legal, mas política.

"As dúvidas era apenas por uma questão de ética política e de dar a possibilidade a quem me sucedesse de poder ter uma sensibilidade diferente da minha. Provavelmente, teria ponderado a assinatura em nome deste princípio de ética política que nós devemos ter sempre."

Apesar de ontem ter falado no dia 20 de Fevereiro de 2005, Nobre Guedes admitiu também que o despacho final que deu luz verde ao abate dos sobreiros e à construção do empreendimento turístico, em Benavente, foi assinado a 22 de Fevereiro, dois dias depois das eleições.

Luís Nobre Guedes fez questão de dizer que a decisão já estava tomada desde o dia 16 de Fevereiro.

O antigo ministro foi ainda confrontado com o facto de Abel Pinheiro, que também é arguido no caso, ter tido sempre conhecimento sobre este processo. Nobre Guedes respondeu que eram amigos e que servia de interlocutor, porque não gostava de falar com empresários.

Recorde-se que o despacho assinado pelo ex-ministro Nobre Guedes, viria a ser revogado pelo sucessor no cargo, o ministro socialista Nunes Correia.