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Sociólogo português deixa recomendações aos líderes na Rio+20

17 jun, 2012 • José Pedro Frazão, na cimeira do Rio de Janeiro

Mudar radicalmente de vida para cumprir um desenvolvimento sustentável é a proposta do único português convidado para um participal num fórum da cimeira.

Sociólogo português deixa recomendações aos líderes na Rio+20
O sociólogo Boaventura Sousa Santos é o único português a participar nas dez mesas redondas que estão a elaborar 30 recomendações para os líderes políticos que chegam ao à cimeira Rio +20 na quarta-feira (dia 20).

O português interveio no painel sobre erradicação da pobreza, donde devem sair três recomendações. Boaventura Sousa Santos escolheu reduzir o essencial a duas.

“Se levarmos a sério o acesso universal à saúde e as condições que criam uma sociedade saudável, temos de ter uma reforma do Estado e do sistema político. Uma redistribuição da riqueza e um outro sistema de tributação, e, isso sim, pode criar um mundo mais justo. Por isso, em meu entender estas duas recomendações são as únicas que podem trazer uma transformação da economia política do mundo, que também necessitamos para poder atingir os nossos objectivos”, defendeu.
Os líderes políticos vão discutir como pode ser construída essa estrada, que permite que a tecnologia seja conduzida dos países ricos para os pobres. Mas o sociólogo considera que é o Sul que tem a ensinar ao Norte.

“Venho de um continente a empobrecer – a Europa – a precisar de soluções do mundo, que obviamente não está preparada para poder receber. Séculos de colonianismo impediram a Europa de aprender com a experiência do mundo”, considerou.
A erradicação da pobreza foi anunciada como um “conceito problemático” para debate.

“Será isto uma armadilha para não travarmos a verdadeira luta que seria necessário travar contra a concentração da renda, a enorme concentração de riqueza no mundo que está abrindo um abismo cada vez maior entre os ricos e os pobres?. E a concentração da renda é de tal maneira forte que está a contaminar e a destruir as nossas democracias. A corrupção, as transformações de leis em diversos países sob pressão de ‘lobbies’ de multinacionais que operam em diferentes países não são capazes sequer de nos trazer a mensagem de 1992”, afirmou.
Mudar radicalmente de vida para cumprir um desenvolvimento sustentável é a proposta do único português convidado para um forum que começou na Internet e continua na conferência, mas sem políticos ou agências da ONU envolvidas.