Nos últimos anos tem havido uma diminuição para cerca de metade do “stock” de sardinha na costa ibérica. Não se conhecem as causas deste fenómeno da baixa capacidade de renovação. Sabe-se que não tem a ver com a pesca, mas com vários factores, explica Paulo Mónica, do conselho directivo do Instituto de Investigação das Pescas e do Mar (IPIMAR).
“É mais fácil dizer quais não são as causas do que quais são. O que é claro é que não é devido a pesca. É um problema que se arrasta há anos em todo o planeta, diga-se de passagem, sendo tantos os parâmetros que não se consegue dizer qual o que motiva isso.”
“Pode ser temperatura da água? Pode. Pode ser competição entre as espécies? Pode. Podem ser todas juntas e mais quinze? Pode. Podem ser todos estes parâmetros”, diz Paulo Mónica.
Para tentar inverter esta situação, foram tomadas várias medidas no âmbito do chamado plano de gestão da pesca da sardinha. Uma delas é a redução das quotas de pesca.
“Houve uma quota que foi estabelecida desde Janeiro até 31 de Maio de nove mil toneladas, no seu conjunto é uma quota que implica uma redução considerável relativamente às quotas que existiam em anos anteriores. Há por exemplo uma proibição de pesca durante 48 horas ao fim-de-semana, para os pescadores não associados têm capturas diárias limitadas”, explica o responsável do IPIMAR.
Ao haver uma redução das quotas de pesca, há uma diminuição do “stock” e daí haver menos sardinha à venda no mercado. Os preços variam muito. Na última semana, a sardinha na lota de Viana do Castelo era a mais barata de todas com cada quilo a custar 51 cêntimos. A mais cara foi vendida na lota de Olhão a 2,05 euros.
Como habitualmente, a sardinha será o prato nas festas dos Santos Populares e, tudo indica, prometem ser boas. “Este ano a sardinha começou a engordar um pouco mais cedo do que o costume. Diria que sim, que vamos ter um Verão apetecível deste ponto de vista”.
Esperam-se boas sardinhas já para os Santos Populares, que começam na próxima semana em Lisboa.