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O que acontece aos feriados daqui a cinco anos?

Prazo dos feriados debatido na Comissão de Trabalho

Deputados discutiram alterações ao Código Laboral com grande intensidade. PSD defende que prazo da Santa Sé é “discussão lateral” e Bloco e PCP criticaram em força o “roubo” das comemorações dos portugueses.
09-05-2012 1:00 por Ana Carrilho
O que é que acontece daqui a cinco anos, quando terminar o período negociado com a Santa Sé para o corte dos feriados religiosos? E mais concretamente, o que acontece com os feriados civis?

Esta foi uma questão levantada na comissão parlamentar de Trabalho, onde os deputados discutiram, na especialidade, as alterações ao Código Laboral. Miguel Laranjeiro, do PS, foi um dos que questionou a maioria: “Se este é um acordo com a Santa Sé por cinco anos, o que é que se passa depois, relativamente aos religiosos e aos civis? Há muitas questões por responder”.

A resposta veio de Adão e Silva, do PSD. Para já, essa não é uma questão que preocupe PSD e CDS, que só propõe o corte dos feriados religiosos do Corpo de Deus e 1 de Novembro, conforme acordado com o Vaticano e os civis 5 de Outubro e 1 de Dezembro.

“Nós propusemos e o que vai vigorar no diploma é que entre em vigor a 1 de Janeiro. Não há mais nada. Isto é, não há mais nada sobre a questão dos cinco anos. São discussões laterais que eventualmente podem ser realizadas aqui, mas nós não temos nenhuma proposta desse género”, defende o deputado social-democrata.

A proposta de corte dos quatro feriados foi aprovada apenas pela maioria, mas a entrada em vigor, em simultâneo, no dia 1 de Janeiro de 2013, acabou por ter o acordo do PS. Do PCP e Bloco vieram os votos contra. Os dois partidos mais à esquerda contestaram firmemente o corte de quatro dias feriados e Rita Rato, do PCP, não hesitou em classificar a medida, entre em vigor quando entrar.

“Não há mandato nenhum que justifique perante o povo português a eliminação de quatro feriados. Independentemente de serem religiosos ou civis, constituem a vivência do povo português, e portanto constituem um roubo profundo da comemoração destes dias e do descanso e lazer nestes dias”, criticou, numa posição partilhada com o Bloco de Esquerda.

Mariana Aiveca observou que a medida tinha sido referida pelo Governo como necessária com quatro fundamentos: competitividade, produtividade, situação de crise e o memorando da “troika”. E estranhou inicialmente que agora estes argumentos já não sejam tão urgentes. Mas encontrou uma explicação: acalmar os ânimos mais exaltados.

“Vamos fazer aqui uma interrupção durante o ano de 2012 de todas estas grandes questões e que só se colocam a partir de Janeiro de 2013?”

“Até é compreensível. O que o Governo quer fazer é limpar qualquer burburinho que por aí haja, e portanto sossegue-se o senhor deputado Ribeiro e Castro porque a votação é em 2013 e sosseguem-se os outros parceiros que estão a levantar o problema”, ironizou a deputada bloquista. Um desses parceiros é a UGT que, tal como o PS, sempre se opôs ao corte do feriado de 5 de Outubro.

A discussão na especialidade das alterações ao Código de Trabalho terminou esta terça-feira. Nestas cinco sessões, PSD e CDS rejeitaram todas a propostas de alteração apresentadas pela Oposição, mesmo quando vindas do PS, que nalguns casos, votou com a maioria.

A votação final global está apontada a realizar-se na sexta-feira, dia 11. 
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Comentários (3)
  • » bIJU, seixal, 09-05-2012 14:47

    Eu não percebo o que adianta as empresas e á produtividade as pessoas irem trabalhar nestes dias do Ano em que sempre foram feriados. Até pelo contrario as pessoas não produzem nada porque estão aborrecidas de ali estar. Para mim isto é tudo " palha" porque até daqui a cinco anos e no nosso país as leis hoje são uma coisa amanhã são outra. Isto e tudo o resto que estão nos acordos vão haver tantas que caem no saco roto. Em Portugal joga se conforme dá mais jeito ou que interessa agora está lá o PSD querem e aproveitam se de tudo para retirar direitos e ate partes de salarios, mas se amanha tiver o Ps já se muda qlq coisa e se houvesse a chapada que os Portugueses deviam dar a estes 2 partidos era tantos votos para o Ps como para um da Esquerda. Acabava se logo a conversa toda dos acordos até o rasgavam com o medo de perderem as empresas para o Estado e comissões de trabalhadores, e se houvesse um 25 abril novo os ordenados disparavam para o dobro a ver se compravam os Pobres agora dar 515 euros de ordenado minimo mais 30 euros é uma fartura as empresas não podem mas se isto se passasse até 600 davam É assim em Portugal que as coisas se fazem. qdo se dá corda ás pessoas qto mais se dá mais elas esticam e então os nossos ricos que se dá um dedo e eles apanham logo o braço. Agora está a cor deles aquilo é uma beleza.
  • » Brian, Ericeira, 09-05-2012 13:14

    Mas onde chegamos? Isto e mais uma daquelas coisas que o pessoal da política gosta de debitar para os olhos do Ze Povinho. Cortem na gordura da política. Nisso ninguém corta. Porque será. Nem oposição nem governo. Ninguem quero cortar nos maiores gastadores de recursos do Estado. Depois surgem estas aldrabices enormes. Isto são apenas manobras de diversão. O necessário e mudar de mentalidade e não de retirar feriados. Porque não retiram certos direitos que são exagerados aos nossos políticos?
  • » OBSERVADOR, LISBOA, 09-05-2012 10:48

    Esta é mais uma medida contra as pessoas, que não traduz, em concreto, nenhum benefício para o problema de fundo - a não existência dum tecido económico bem estruturado no nosso País. Não é por qaqui que se resolve a crise. Pura tolice teatral de gente alienada pelo UltraLiberalismo anti social. O único feriado que já não se justifica é o do 25 de Abril, pois a Democracia deve ser festejada no Iºde Maio e no 5 de Outubro ( dia da República). Ora este último é que vão eles acabar. A dita "Esquerda" ainda não vislumbrou o que é de essencial nestas comemorações. Acabar com o feriado do 25 de Abril é um acto de pacificação entre Portugueses, um acto de boa vontade e superioridade moral da Democracia. Acabar como 5 de Outubro é um ataque à Democracia.
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