O presidente do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), Rui Antunes, defende que o Governo deve envolver-se na captação de estudantes estrangeiros para as instituições de ensino superior, em vez de pensar em encerrar algumas delas.
Ao intervir hoje na sessão solene das comemorações dos 125 anos da Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC), que integra o IPC, o responsável advertiu que "não se pode desmantelar esta rede que custou tanto ao país e aos portugueses".
Realçou que, devido a esse esforço na formação superior, Portugal já se encontra acima da média dos países da OCDE entre os cidadãos até aos 35 anos.
No entanto, advertiu que encerrar alguns estabelecimentos do ensino superior pode levar a um resultado similar ao que sucedeu com a tuberculose, pois desmantelou-se a rede de assistência quando se pensava estar erradicada, e depois ressurgiu.
"Há conhecimento que se perde de forma definitiva, a experiência de décadas. Os custos a médio e longo prazo são incomensuráveis", porque "o que for abandonado e destruído não será recuperado", acentuou.
No entendimento de Rui Antunes, para superar a diminuição no número de alunos Portugal deve adoptar a estratégia alternativa ao encerramento de estabelecimentos, de captar estudantes estrangeiros, passando o Governo a incluir essa área nas suas acções diplomáticas.
O responsável recordou que já há instituições que procuram essa via, mas entende que o seu sucesso será limitado "se não há uma estratégia concertada e apoiada pelo Governo", e envolvendo vários ministérios.