Galinhas desconfortáveis, preço dos ovos dispara em Portugal

06 abr, 2012 • Daniel Rosário

Situação agrava-se na Páscoa e pode levar a Portugal ter de importar numa área até agora exportadora.
Galinhas desconfortáveis, preço dos ovos dispara em Portugal
O preço dos ovos em Portugal aumentou entre 40 e 60% nas últimas semanas. De acordo com dados dos produtores nacionais, este valor vai continuar a subir nos próximos meses e corre o risco de disparar a seguir ao Verão.

Tudo por causa da implementação da nova directiva europeia sobre bem-estar animal, que obriga a facultar gaiolas mais confortáveis às galinhas poedeiras desde o passado dia 1 de Janeiro.

No caso português, apenas os animais responsáveis por 40% da produção estão instalados nas chamadas “gaiolas melhoradas”. Em contrapartida, ao nível europeu, este valor atinge os 86%. Numa leitura estrita da nova legislação, os ovos que não sejam produzidos nestas condições são “ilegais” e não podem ser comercializados.

No entanto, em virtude de um acordo informal estabelecido ao nível europeu e que teve em conta a situação de crise, Portugal e os países mais atrasados comprometeram-se a canalizar os ovos “ilegais” exclusivamente para a indústria e não directamente para o consumidor.

Em contrapartida, os países cumpridores das novas regras “comprometeram-se a não adoptar medidas unilaterais, como por exemplo fechar as suas fronteiras à importação de ovos”. Este entendimento teve como consequência o desvio maciço da produção para a indústria, o que fez com que a quantidade de ovos frescos disponíveis caísse a pique e o respectivo preço para o consumidor evoluísse no sentido oposto.

Mas acontece que também na indústria os preços dispararam, devido ao súbito aumento da procura por parte de países em situação semelhante à portuguesa, um quadro que se agravou na época da Páscoa.

O Ministério da Agricultura reconhece que a implementação total da referida directiva comunitária deixará Portugal com uma capacidade de produção de ovos equivalente a metade da actual o que, além do aumento de preços, levará o país a ter que passar a importar, numa área em que até ao momento é exportador.