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"Medo e fome" entre os emigrantes portugueses em Londres

Igreja procura acompanhar os casos dramáticos

  • Áudio Emigrantes portugueses em Londres são já "novos escravos"

Numa cidade onde já vivem perto de 200 mil portugueses, a nova vaga de emigrantes enfrenta muitas vezes grandes dificuldades. Há quem se aproveite do calor dos autocarros para se aquecer e há quem tenha de "rapar os pratos" que encontra para se alimentar.
06-03-2012 18:26 por Domingos Pinto
Passam fome, procuram restos de comida, pedem ajuda à polícia e à Igreja, dormem nos autocarros e nos albergues dos sem-abrigo. É o retrato da nova vaga da emigração portuguesa em Londres, onde a renda de um quarto chega a custar 500 euros por mês e um simples café 1,40 euros.

Numa cidade onde já vivem perto de 200 mil portugueses, a nova vaga de emigrantes enfrenta muitas vezes grandes dificuldades. Em declarações à Renascença, o padre Pedro Rodrigues, responsável da missão católica portuguesa de Londres, precisa o que se está a passar: "Olham para eles com algum receio, porque vêm tirar os empregos dos que cá estão. Preocupam-se porque não sabem como hão-de responder a isto. Há medo.”

Os novos emigrantes têm pela frente dias difíceis. “Sentem-se enganados quando chegam a esta terra sem uma resposta a nível de alojamento e a nível de emprego”, conta o padre. “Vêm simplesmente à nora. Há uns que vêm bater à porta da polícia, às casas de albergue dos sem-abrigo e depois bater à porta das igrejas. É a hipótese que têm. É tudo para a refeição”, acrescenta.

“Por aquilo que nós ouvimos dizer”, continua o padre Pedro Rodrigues, “há pessoas que se aproveitam do calor que os autocarros aqui têm para pelo menos estar durante algum tempo". "Os novos emigrantes já disseram que iam rapar os pratos que encontravam pelo sítio onde passavam".

“Há fome, sim, as pessoas que vêm com 20 euros para uma cidade que é tão cara é normal que se privem e que vão para um copo de leite, que dá mais energia".

“Já são os novos escravos”
No caso dos novos emigrantes, o padre Pedro Rodrigues não tem dúvidas: a viver nestas condições, é possível falar em “escravatura”. A Igreja procura acompanhar os casos dramáticos.

O padre Pedro Rodrigues explica que se paga cerca de 500 euros, "no mínimo, por um quarto mísero, pequeno, sem casa de banho particular”. “Se vierem mais [emigrantes], é insustentável. Tem de se pensar sempre quase que no dobro. A média geral de um café custa 60, 70, 80 cêntimos, aqui custa o equivalente a 1,20, 1,40 euros. Se formos a um restaurante, aí temos uma refeição pelos 12 ou 17 euros”.

“Se quiserem viver como animais, é capaz de dar. Se é para dizer ‘quero uma vida digna, não quero ser escravo’, é difícil de vir agora e encontrar um emprego de jeito. Já são os novos escravos, não é ‘podem vir a ser’ – são os novos escravos”, conclui o padre Pedro Rodrigues.
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Comentários (102)
  • » tony, londres, 15-05-2013 0:09

    Boa noite amigos :-) 1000/1300 euros é quanto ganho em 7 dias de trabalho, 12/14 horas por dia. esta é a minha realidade. sou driver vai fazer 15 anos. pois é amigos:-( a vida aqui não é fácil... mas quem vem para trabalhar, não tenho duvidas que vai ganhar muito dinheiro;-)
  • » Nelson, Londres, 18-04-2013 10:06

    A verdade é que neste momento me encontro nesta situaçao. Vim para cá arranjei emprego, mas perdi o emprego fiquei sem dinheiro para ter um sitio onde dormir comida na mesa. Neste momento estou na rua tentando arranjar uma soluçao para regressar a Portugal Nao existem ajudas, nao do governo nao do consulado ou embaixada. Está dificil, se alguém tiver um soluçao por favor me diga Obrigado
  • » Jorge, Nova Iorque, 11-03-2013 17:07

    Realmente, esta RR está cada vez pior. Baseiam-se na opinião de uma pessoa que diz o que quer. Claro que para a igreja ficar bem vista, tem de haver gente com necessidades. Claro que se vão com 20 euros emigrar, seja para onde for, vão passar por maus bocados. Ainda para mais se forem sem contactos ou mínimo de noção do país/cidade. Há fóruns, há comissões, há grupos no facebook, há toda uma panóplia de ajudas online para os "novos emigrantes". Se tiverem lá alguém, tanto melhor. Pedia ao sr. Domingos Pinto que fosse comigo a Londres e visse pelos seus próprios olhos o que acontece, pedindo desculpa aos portugueses lá fora e às pessoas que ficaram com medo de sair por causa de uma notícia falsa e que não faz sentido nenhum! Claro que as coisas estão piores, estão em todo o lado, mas como dizia o meu avô: "Prefiro o pior de Londres, ao melhor de Portugal!". Por fim, bato palmas a quem consegue ficar, viver e lutar num país como Portugal, onde a corrupção é rainha, os ricos ficam mais ricos e os pobres lutam para sobreviver.
  • » Ana, Londres, 11-03-2013 0:03

    Que grande oportunidade que o Sr Padre perdeu para estar calado. Que grandes mentiras. Um casal amigo meu chegou há um mês e já estão os dois a trabalhar!! E em muito bons empregos!!!! A primeira vez que ouvi falar de algo semelhante fui logo ajudar mas é muito raro histórias destas em Londres. Até mesmo quem não fala inglês arranja trabalho!! Já agora perguntem-lhe porque ignorou uma emigrante em Londres que lhe escreveu um email a pedir ajuda para uma família portuguesa que estava a viver nas ruas? É isto que é ser católico Sr Padre???? Tou furiosa com os seus comentários!!! Eu com a ajuda de outros portugueses e muitos ingleses juntámos dinheiro e tirámo-los da rua. A igreja católica não fez NADA!!!!!! Neste momento consegui colocá-los em alojamento social e encontrei uma congregação evangélica que depois de me ouvirem no telefone logo foram ter com eles no dia seguinte com sacos de comida!!! Já agora, fiquem a saber que eu sou católica. Que vergonha e desilusão!!!! Ana
  • » ANA, LONDRES, 10-03-2013 21:19

    "Os novos emigrantes já disseram que iam rapar os pratos que encontravam pelo sítio onde passavam". ISTO É MENTIRA!! “Se quiserem viver como animais, é capaz de dar. Se é para dizer ‘quero uma vida digna, não quero ser escravo’, é difícil de vir agora e encontrar um emprego de jeito. Já são os novos escravos, não é ‘podem vir a ser’ – são os novos escravos”, conclui o padre Pedro Rodrigues.????????????? Mas quem este padre que deu esta entrevista?? que drama!!!! nao corresponde a realidade!! jesusssss
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  • » cristina, Lisboa, 10-03-2013 16:15

    Estive em Londres a morar e a trabalhar e fui com pouco dinheiro de Portugal. Tenho a dizer que esta noticia esta mal escrita e a informação nao esta correcta. O Preço dos Quartos vai acima dos 500 em Londres! E nao ha cafes por 1.40??? Vai acima dos 2,50. Mas os ordenados também sao o dobro dos nossos. Acho incrivel e incorrecto a veracidade das informaçoes dadas! Este mês irei outra vez para lá. Com pouco dinheiro mas com muita capacidade de trabalho. E, não somos escravos em Londres... Somos trabalhadores como os espanhois e os italianos. Estamos todos no mesmo barco.
  • » Pedro, Lisboa, 27-02-2013 22:06

    Já tive a oportunidade de ir a Londres "apalpar" terreno duas vezes. Sempre ouvia dizer que a vida era bastante mais cara por lá. Mas sempre procurei viver dentro das minhas possibilidades, e chegando lá basta manter a mesma estratégia e os pés assentes no chão (sem pensar que tudo cai do céu por estar num país melhor). Procurando, sem grande esforço, encontra-se comida de boa qualidade ao preço da chuva, esqueçam o fast food, seja ele qual for. E preparem vocês os vossos alimentos. O único obstáculo é realmente a renda se escolherem o centro, mas se esquecerem o comodismo que herdamos em terra lusitana.... estão lançados, e basta levar (mais de 20 €) e muita vontade de trabalhar. Eu estou ainda por cá, a juntar com muita dificuldade os últimos trocos, para que à terceira vez volte, sem bilhete de regresso, para um país que mesmo não sendo o meu, me faz sentir mais em casa..... e consigo sentir o cheiro do futuro. Os meus amigos têm me dito...-"EH, vais para lá?!?! Olha que é lixado, tens de começar tudo de novo!!!!"... e eu respondo.... _ "Pois é, mas pelo menos "começo", se ficar aqui... nem isso." Não tenham medo de ir.... tenham medo de ficar (^_^)
  • » NM, South Wales, 26-01-2013 0:00

    Portugueses a vida nao e facil seja para qualquer ponto do pais que emigrem. Temos que lutar e batalhar muito. Pois cada um sofre a sua maneira, mas o segredo e nao desistir, continuar com os seus objectivo e vencer na vida com determinacao. Pois sabendo que tudo na vida e dificel, e sempre mais facil culpar os governantes, os politicos. Pois todos nos ja estamos fartos de saber que os governantes nao fazem nada por nos, entao temos que mudar os nossos rumos na nossa vida. Viva a aventura, o mundo esta cheio de oportunidades, e so nos mesmos e que temos felizmente a sorte de descobrir essas mesmas oportunidades e coisas boas que a vida tem. Vivam a vida em plenitude, facam descobertas, gozem bem a vida. Pois estamos neste mundo de passagem curta. Nao vale a pena lamentar, ninguem modifica e ajuda a melhorar o que esta feito.
  • » Maria José Peres, Kingston, 03-01-2013 22:48

    Eu não conheço a realidade dos portugueses em Londres. Mas gostaria de deixar aqui o meu testemunho pessoal, que é muito positivo: vim trabalhar para Londres, pela primeira vez, em 2009, com 61 anos, como Nanny. No primeiro mês da minha estadia, porque já tinha 60 anos tive direito a um passe social que me permite viajar gratuitamente no metro e nos autocarros. Em 2011 voltei a Portugal e nada de bom encontrei. Em 2012, já com 64 anos, consigo novamente trabalho como Nanny. Em Portugal desde os 42 anos que me maginalizaram dizendo sempre: "queremos pessoa mais nova". De facto trouxe mais do 20 euros, e vim para uma casa de família onde como e durmo. Acho que ninguém deve vir só com 20 euros e sem alguma garantia de trabalho. Vir sem qualquer organização é de facto impensável. Mas, se a Inglaterra já dá menos benefícios do que deu outrora continua a ter uma funcionalidade nas organizações que em Portugal não existe. Se alguém veio completamente à deriva pode estar em grandes dificuldades. Não aconselho a ninguém a vir à sorte. Mas orgulho-me de poder ser "velha" em Londres onde ainda sou aceite para trabalhar. Fiz um curso superior que servíu para ser porteira e empregada doméstica, trabalho que não me envergonho de ter feito, mas angustiou-me assistir à minha própria ruina material e intelectual. O meu País nunca quis saber das minhas aptidões e desperdiçou uma pessoa válida aos 42 anos..Estou muito bem em Londres. Consegui este meu trabalho na Internete.aos 64 anos!
  • » Miguel Fernandes, London, 02-12-2012 20:42

    Tentava eu comentar, mas a Internet tem anomalias que nos ultrapassam. Sem pretender por em duvida a opiniao pessoal do sr. Pd. Pedro Rodrigues, eu fazendo uso de factos, gostaria de relembrar que aqui ha pouco tempo, uma equipe de TV (RTP-1) vinda de Franca e guiada por um jornalista residente em Londres, andou a procura de sem abrigos e pedintes PORTUGUESES, percorrendo Vauxhal e Brixton, areas predominantemente usados por nacionais. Encontraram depois de muitas horas -em vao- UM portugues, que afirmou perante as camaras de TV que nao dava entrevista e que se estava a dormir na rua ERA PORQUE QUERIA. Bom, isto em nada prova que nao haja pessoas em mas condicoes economicas em Londres...mas tambem deve ser lembrado, e o sr. Pd certamente nao conhece, que ha muitos locais onde se pode fazer uma refeicao completa...por menos de 15 £ibras. E se formos comedidos ainda podemos levar o resto para ajuda de outra refeicao. Depois ha imensas variaveis que podem ir desde as ajudas (impensaveis em Portugal) ate aos apoios de varias entidades. Os (maus) habitos de alguns nao ajudam, mas as mas vontades tambem nao sao beneficas para muitos. Londres ja nao e para quem trabalha -E DESCONTA- o "paraiso" que era ha 30 anos atraz...mas pondo na balanca o Reino Unido e Portugal...muito obrigado, eu fico por ca. Agora quem pensa vir para ca, nao querer trabalhar, nao pagar taxas e querer uma boa vida...e melhor e ir embora...
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