Voluntariado

Fundação Eugénio de Almeida traça retrato do voluntariado

29 nov, 2011 • Rosário Silva

Voluntariado cresceu na última década mas Portugal apresenta baixas taxas de participação voluntária.
Fundação Eugénio de Almeida traça retrato do voluntariado
Neste Ano Europeu do Voluntariado, a Fundação Eugénio de Almeida dá a conhecer os resultados de um estudo que, pela primeira vez, faz o retrato desta prática no contexto da Europa. Uma iniciativa que pretende dar resposta, segundo a Secretária Geral da Fundação, Maria do Céu Ramos, “à escassez de dados sobre o voluntariado em Portugal, permitindo um conhecimento aprofundado desta realidade e que aponte caminhos mais eficazes para a sua promoção e gestão”.

As conclusões deste Estudo sobre o Voluntariado revelam desde logo que ao nível da União Europeia, estão envolvidos nesta prática entre 92 e 94 milhões de adultos, o que representa cerca de 23-24% da população. Os países com maiores níveis de envolvimento são, efectivamente, os países do norte de Europa, com referência para a Holanda ou Suécia, onde a participação pode chegar aos 40%. Trata-se de uma realidade que contrasta com aquela que se vislumbra no sul da Europa, onde países como Portugal, Espanha ou Itália, apenas registam um envolvimento acima dos 10%.

No que diz respeito à participação dos portugueses nas actividades de voluntariado, subsistem valores muito reduzidos, como de resto, dão conta dados do Eurobarómetro de 2011 que revelam uma participação na ordem dos 12%, enquanto a média europeia é de 24%. Apesar deste cenário, e contrariamente a alguma opinião comum, não há declínio da participação cívica e de voluntariado a nível internacional, aliás, de acordo com vários especialistas, esta prática tem aumentado na última década.

A investigação efectuada pelo Centro de Estudos Sociais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra aponta também os factores que podem explicar estes dados, e que desde logo, podem estar associados à tradição portuguesa, em que o Estado é entendido como o actor principal para a resolução dos problemas sociais e à regulamentação jurídica do voluntariado de 1998 que formaliza as práticas de solidariedade e exclui todas as práticas informais e individuais de entreajuda e voluntariado.

Deste estudo, há ainda a reter outros números: a população portuguesa que faz voluntariado formal pelo menos uma vez por mês é de 2,9% e no caso do voluntariado informal, ou seja, não integrado numa organização, esse número cresce aos 6,1%. Em termos de áreas de intervenção, à semelhança de outros países do sul da Europa, também Portugal está mais vocacionado para a área dos serviços sociais, com uma participação na ordem do 36%. Mas nem tudo é assim tão negro. Apesar das fragilidades, os portugueses sabem ser dinâmicos em termos de participação e mobilização, nomeadamente em campanhas esporádicas. A título de exemplo, fica o envolvimento em campanhas como as do banco Alimentar Contra a Fome ou a Campanha “Limpar Portugal”.

O caso de Évora
O Estudo de Caso realizado em Évora, revela que 28,9% das organizações da região têm como principal área de actuação, a área social e, incorporam 42,1% dos voluntários.

Os resultados produzem, também, um conjunto de desafios, nomeadamente, nos planos da promoção, formação e acompanhamento dos voluntários, assim como das suas motivações que assentam, sobretudo, em valores colectivos e altruístas, como a solidariedade ou a ajuda ao outro.
Contudo, o estudo identificou, igualmente, valores individuais como a auto-realização e o desenvolvimento das competências, que representam 30% das motivações para o voluntariado.

No que respeita à formação, é considerada essencial – 40% dos voluntários inquiridos nunca recebeu qualquer tipo de formação e, destes, 79,7% consideram ser um recurso fundamental. Nesta área, há aspectos que devem ser melhorados, desde logo, os horários, o aumento do número de vagas por curso, uma maior componente prática e uma maior aposta no voluntariado internacional e com idosos.

Outro aspecto relevante prende-se com o acompanhamento e avaliação dos voluntários. Efectivamente, 86% dos inquiridos referiram que este acompanhamento é fundamental e poderá passar por reuniões periódicas, apoio nas actividades ou, simplesmente, pela troca de informação e de experiências.