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José Adelino Maltez

"A Madeira é uma parcela de hábitos enraizados que viciam"

03 out, 2011 • Mara Dionísio

José Adelino Maltez, catedrático em Ciência Política, sustenta que a dívida no arquipélago não é caso único no país, mas revela "um problema de resiliência”.

"A Madeira é uma parcela de hábitos enraizados que viciam"
Como é que a Ciência Política analisa o caso da dívida no arquipélago governado por Alberto João Jardim?  "A Madeira é uma parcela de hábitos enraizados que viciam e que, muitas vezes, transformam regimes numa espécie de ditadura da incompetência, em nome dos clientelismos, da partidocracia", considera José Adelino Maltez, que é professor catedrático de Ciência Política na Universidade Técnica de Lisboa.

Alberto João Jardim confessou num comício que omitiu a dívida - disse que o fez em "legítima defesa". "Mas o que ele admite ter feito", diz José Adelino Maltez, "muita gente responsável tem feito noutros lugares". "É uma espécie de contabilidade criativa, do ramo da chamada 'engenharia financeira'", acrescenta o catedrático.

"Não foi o único [a fazê-lo]",  prossegue José Adelino Maltez, porque muitos "lavaram as mãos como Pilatos, porque também fizeram o mesmo".

"Sobretudo quando se entrou naquele cumprimento formal das medidas da União Europeia, todo o regime entrou nisso. O cavaquismo fez isto, o guterrismo fez isto, o barrosismo fez isto, o socratismo fez isto... Portanto, no caso da Madeira, há um problema de resiliência", argumenta ainda o politólogo..

Na semana passada, foi também noticiado que o Tribunal de Contas teria informado figuras de topo do Estado, ao longo dos anos, sobre a situação financeira das contas públicas da região da Madeira. Certo é que só agora é que se começa a olhar seriamente para este caso. José Adelino Maltez diz que se trata da uma “ditadura da incompetência”.

O professor catedrático de ciência política argumenta que as instituições responsáveis “não fizeram nada com os relatórios dos défices sucessivos de empresas públicas, tal como não fizeram nada contra o descalabro - e desvario até - de empresas municipais”.

Sobre as eleições na Madeira, marcadas para 9 de Outubro, Adelino Maltez critica quem diz que serão os madeirenses a julgar Jardim, porque, defende, o “povo da Madeira não tem que julgar". "Tem que saber quem manda. O que devíamos dizer é que, a partir de agora, vai haver suficientes instrumentos de fiscalização", conclui.