O site da Renascença usa cookies. Ao prosseguir, concorda com o seu uso. Leia mais aqui.

Greves estão a perder impacto, diz ex-líder da UGT

06 abr, 2015

“Entendo que os sindicatos não deveriam declarar a greve pela greve e alguns fazem-no”, afirma João Proença em entrevista à Renascença. Muitas vezes, no dia seguinte, os trabalhadores sentem que “nada é diferente”.
Greves estão a perder impacto, diz ex-líder da UGT
O antigo secretário-geral da UGT João Proença considera que as greves começam a ser banalizadas e estão, por isso, a perder impacto.

"As greves continuam a ser a forma de luta por excelência dos sindicatos, mas, de facto, foram perdendo o seu impacto perante a opinião pública e perante os governos", admite.

"Às vezes, governos que até pretendem reduzir os custos na administração pública dá a ideia que vêem as greves com despreocupação e os trabalhadores perdem um dia de salário", acrescenta o assessor da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).

João Proença defende, por isso, que os sindicatos "não deveriam declarar a greve pela greve". Parece que "não têm um objectivo concreto a atingir" e, assim, a luta não é tão forte como deveria ser.

Nesta entrevista à Renascença, o antigo sindicalista diz ainda que a opinião pública é cada vez mais indiferente às greves, pelo que "os sindicatos têm de produzir as greves de uma maneira mais consequente".

Quanto às greves gerais, já foi tempo em que foram bem sucedidas – "por exemplo, em 1988" – mas hoje "muitas vezes, não atingem os seus objectivos", que "pelo número de trabalhadores que adere", quer "por sentirem que, no dia seguinte, nada muda, nada é diferente".

Apesar de tudo, acrescenta, é errado dizer-se que Portugal tem mais greves do que outros países. João Proença diz que até tem menos. A diferença é que estão concentradas no sector empresarial do Estado ou na função pública e afectam mais a população do que o empregador.