Basílio Horta ameaça protestar à porta do Ministério da Educação

30 set, 2014

Presidente da Câmara escreveu uma carta a Nuno Crato dando conta da situação que afecta o concelho onde há mais de 10 mil alunos sem professores.
O presidente da Câmara de Sintra, Basílio Horta, ameaça ir protestar "para a porta do ministério", se não for resolvida a situação de falta de 33 professores em Casal de Cambra.

"Vamos pedir uma reunião de urgência ao senhor ministro e espero que ele nos dê a reunião, senão vai ter de nos ouvir à porta do Ministério", disse Basílio Horta, frente à Escola EB 2,3 Prof. Agostinho da Silva, onde desde as 8h00 se concentraram dezenas de pais e alunos em protesto contra a falta de professores.

Num agrupamento de 110 professores, continuam a faltar 33, "o que afecta cerca de 200 crianças nas várias escolas", explicou à agência Lusa Helena Santos, presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação.

Segundo a dirigente, "lamentavelmente, houve 27 professores que pediram recondução para estas escolas [do agrupamento] e apenas um conseguiu".

"As escolas TEIP [Território Educativo de Intervenção Prioritária] também são portuguesas", lia-se num dos cartazes empunhados pelos pais e alunos concentrados à porta da escola de Casal de Cambra, num protesto que durou hora e meia.

"Nunca houve um começo de ano tão mau como este, não chega pedir desculpa", afirmou Basílio Horta, acrescentando que em "Sintra faltam pelo menos 200 professores".  O autarca escreveu uma carta a Nuno Crato dando conta da situação que afecta o concelho.

O agrupamento de escolas, composto pelo Jardim de Infância (JI) n.º 1 de Casal de Cambra, EB1/JI de Casal de Cambra, EB1 n.º 2 de Casal de Cambra e EB2,3 Professor Agostinho da Silva, possui 150 crianças com necessidades educativas especiais. 

A presidente da Junta de Freguesia de Casal de Cambra, Fernanda Santos, esclareceu que entre as escolas com falta de docentes, além da de Casal de Cambra, estão as de Agualva-Mira Sintra (15), Ferreira de Castro (24), Rui Belo (20), Visconde de Juromenha (12), Queluz-Belas (10) e Francisco Sanches (3), afectando em todo o concelho cerca de dez mil alunos.

"É uma preocupação que se vem agravando há vários anos, mas este ano é demais", desabafou a autarca de Casal de Cambra, que criticou, ainda, o contributo do agrupamento "na certificação de professores que, depois, são transferidos para outras escolas".