1947-2014

"Há uma comunicação antes de Emídio Rangel e depois de Emídio Rangel"

13 ago, 2014

Para Rangel, "tudo era possível", diz o jornalista José Manuel Mestre, que trabalhou com o fundador da TSF e director da SIC.
"Há uma comunicação antes de Emídio Rangel e depois de Emídio Rangel"
"Há uma comunicação antes de Emídio Rangel e depois de Emídio Rangel", diz o jornalista José Manuel Mestre, que trabalhou com o jornalista, falecido esta quarta-feira, na TSF e na SIC.

Para José Manuel Mestre, a característica mais marcante de Emídio Rangel, nome fundamental da comunicação social portuguesa, era a sua "capacidade de criar, de ter ideias e de convencer os outros de que essas ideias eram exequíveis". 

À Renascença, o jornalista da SIC recorda um dos responsáveis por uma nova forma de fazer rádio e televisão em Portugal. "Aprendi com ele a ver, ouvir e contar, mas também a perguntar. O Emídio Rangel ensinou-nos a nunca nos conformarmos, a ir sempre mais além, a questionar, a fazer diferente", lembra.

Destaca a "capacidade de questionar tudo, de fazer jornalismo, tal como hoje o conhecemos, mas que na altura estava muito condicionado".

"Via para lá do muro"
A TSF, cuja equipa fundadora foi também constituída por Rangel, mudou o paradigma da rádio em Portugal, criando um dinamismo que levou à criação do "Público" e consequentemente ao aparecimento da SIC, defende José Manuel Mestre.

Na televisão privada, "concretiza uma mudança de todo o paradigma de comunicação".

"Muitas vezes havia quem que não acreditasse naquilo que ele via para lá do muro, para lá daquilo que a vista dos outros alcançava, mas a realidade dava-lhe sempre razão", afirma.

Emídio Rangel "estava muito além das outras pessoas". "Cativava-nos, envolvia-nos, fazia-nos chegar a sítios onde ninguém chegava, onde ninguém acreditava que era possível chegar. Com Emídio Rangel tudo era possível".

Rangel morreu esta quarta-feira, vítima de cancro, no Hospital Egas Moniz, em Lisboa. Tinha 66 anos.