Estado que não cumpre funções não tem razão de existir

07 ago, 2014

Presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade reage aos dados que revelam a diminuição dos valores pagos em subsídios sociais. "O Estado não se pode demitir do apoio aos cidadãos", diz o padre Lino Maia.
Estado que não cumpre funções não tem razão de existir
O presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) diz que o Estado não se pode demitir das funções sociais.

O padre Lino Maia reage, deste modo, à divulgação de dados que revelam a diminuição dos valores dos subsídios sociais. Segundo os números da Segurança Social agora conhecidos, o valor dos subsídios de desemprego caiu na ordem dos 20%, quando comparados com igual período do ano passado.

Verifica-se, também, uma acentuada diminuição dos beneficiários de rendimento social, do complemento solidário para idosos e de beneficiários de abono de família, o que leva Lino Maia a destacar que existe uma contradição nos entre os números e a procura de auxílio. 

“Seria uma boa notícia se a diminuição correspondesse a uma melhoria da situação geral das pessoas. Mas, de facto, há mais pobreza. Os cortes não significam sempre racionalização, significam diminuição de apoios. Temos mais gente cada vez mais pobre a pedir ajuda às instituições", alerta o padre Lino Maia, em declarações à Renascença.

O presidente da CNIS defende que um Estado que não cumpre a sua função social não tem razão de existir.

“Há mais pobreza, mais dificuldade e menos apoio por parte do Estado. É importante reflectirmos sobre isso. O Estado não se pode demitir do apoio aos cidadãos, particularmente, aos mais carenciados, porque um Estado que esquece os mais carenciados é um Estado que não cumpre as suas funções e não tem razão de ser", diz Lino Maia.