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D. Manuel Clemente

"Nenhum de nós deixará cair os braços”. A pobreza é para levar a sério

17 abr, 2014 • Matilde Torres Pereira

O Patriarca de Lisboa manifestou, na homilia da Missa Crismal, o desejo de que "a família seja mais possibilitada e o trabalho mais distribuído". A eucaristia marca o início das celebrações pascais.

"Nenhum de nós deixará cair os braços”. A pobreza é para levar a sério
"Nenhum de nós deixará cair os braços”. A pobreza é para levar a sério
O Patriarca de Lisboa dirigiu-se, esta Quinta-feira Santa, a todos, "ordenados, consagrados ou leigos", na exortação de que cada um redobre os seus cuidados de comportamento e atenção, especialmente com os mais pobres. 

"Nenhum de nós deixará cair os braços. Levaremos muito a sério a centralidade dos pobres", garantiu D. Manuel Clemente, durante a homilia da Missa Crismal, na Sé Patriarcal de Lisboa.

"A crise financeira faz-nos esquecer a crise antropológica profunda, a negação da primazia do ser humano", apontou o Patriarca, lembrando o desejo do Papa Francisco de "uma Igreja pobre e para os pobres".

"Embora se possa dizer que a missão própria dos cristãos é que toda a realidade humana seja transformada, ninguém se pode exonerar da missão de atentar aos mais pobres e de velar pela justiça social", acrescentou.

D. Manuel Clemente dirigiu, então, palavras de incentivo àqueles que se dedicam ao trabalho com os pobres, desde aos leigos às associações e todas as comunidades cristãs que se têm "redobrado" no esforço da assistência social.

Patriarca quer "a família mais possibilitada e o trabalho mais distribuído"
Durante a celebração, D. Manuel Clemente recordou as mensagens difundidas por todos os bispos de Portugal, com especial incidência nos temas da família e do desemprego. Sobre a família, o Patriarca salientou a importância de a defender "na grande dimensão social que realmente contém". "A família, dizem os bispos de Portugal, é o modelo, o dever ser de qualquer convivência humana."

Sobre a "gravíssima problemática do trabalho e da sua falta”, o bispo de Lisboa afirmou que "somos chamados a resolvê-la com inegável responsabilidade de cada um, desde o Estado às empresas”, e frisou a importância da “co-responsabilização pelos que estão em piores condições".

"Nisto estamos com o máximo empenho", garantiu.
 
D. Manuel Clemente apelou com veemência a que a "família seja mais possibilitada e o trabalho mais distribuído".

Uma Igreja missionária para "concretizar o sonho do Papa"
Citando a carta apostólica do Francisco, "Evangeli Gaudium" (a "Alegria do Evangelho"), D. Manuel Clemente sublinhou o "sentido programático" das palavras do Papa: "Espero que todos os povos avancem num caminho missionário e pastoral que não pode deixar as coisas como estão".

"Com certeza que em Lisboa cumpriremos esta missão papal", garantiu o Patriarca. "Como refere o Papa, o bispo deve promover os processos participativos e organizacionais, mas o objectivo é o sonho missionário de chegar a todos".

D. Manuel Clemente referiu o sínodo diocesano convocado para finais de 2016 para afirmar que "dele sairão indicações para reforçar o empenho missionário", com um sentido "mais sociocultural do que geográfico". "Também o nosso sínodo será precedido pela reflexão das comunidades cristãs da diocese durante os próximos dois anos", disse o Patriarca, tendo como base o texto apostólico de Francisco, que será esmiuçado "capítulo a capítulo, local a local, ambiente a ambiente, processo a processo".

"Todos procuraremos a melhor maneira de concretizar o sonho do Papa Francisco através da leitura dos sinais dos tempos actuais", anunciou D. Manuel Clemente.

"O nosso querido Cardeal Policarpo não deixará de nos acompanhar"
O Patriarca de Lisboa recordou ainda o seu antecessor, o "querido e saudoso Cardeal Policarpo", relembrando as suas palavras: "Por mais exigente que seja a pastoral da Encarnacão, temos de continuar a incentivá-la. Sem esta atenção e paixão pela raridade concreta da vida dos homens, a leitura dos sinais dos tempos não passara de um exercício".

"Assim faremos nos próximos dois anos pastorais", assegurou o Patriarca. "O nosso querido Cardeal Policarpo não deixará de nos acompanhar nesta caminhada", disse.

O bispo de Lisboa encerrou a homilia com um pedido de orações para os sacerdotes. "Rezai, rezai muito pelos vossos sacerdotes e pela Graça que transforma criaturas frágeis em seres vivos, sacerdotes e pastores", concluiu.