“Entrar na Linha” em defesa da ferrovia do Tua

14 mar, 2014 • Olímpia Mairos

A iniciativa é do Movimento Cívico pela Linha do Tua e quer alertar para o abandono a que está votada a linha férrea entre Mirandela e Bragança, estrutura que podia estar a servir as populações.
“Entrar na Linha” em defesa da ferrovia do Tua
O Movimento Cívico pela Linha do Tua (MCLT) vai promover, no sábado, um raide de intervenção denominado “Entrar na Linha”.

A iniciativa vai desenvolver-se entre a estação de Carvalhais e a estação do Romeu, no concelho de Mirandela, e vai consistir na limpeza das estações e também na recuperação dos marcos quilométricos da Linha do Tua (PK’s), que ainda estejam no local.

“Vamos limpá-los, vamos pintá-los. E vamos colocar réplicas dos PK’s que já não se encontrarem lá”, refere à Renascença o presidente do Movimento Cívico pela Linha do Tua, Daniel Conde.

No final do percurso terá lugar um debate: “Linha do Tua, por que não?”. “É uma forma de relançarmos a questão sobre a reabertura da linha”, explica Daniel Conde, acrescentando que “sempre que se discute a ferrovia na nossa região, a questão que se coloca é sempre porquê ter estas linhas, este comboio e este serviço”.
 
“Chegou a hora de fazer a pergunta ao contrário: - ‘Mas por que não? Porque é que os transmontanos não podem ter acesso a um serviço ferroviário público?’, e, neste sentido, vão ser mostrados “factos e números sobre a reabertura da Linha do Tua: quanto custaria reabri-la, quanto custaria uma viagem entre qualquer uma das estações da Linha do Tua”, realça.

O Movimento de Defesa do Tua está também a preparar uma proposta a fazer à REFER, às Câmaras de Macedo de Cavaleiros, Mirandela e Bragança, no sentido de ser criada uma rota de interpretação, em alternativa ao modelo mais usual de conversão em ciclovia.

A rota de interpretação é um modelo que está a ser aplicado “na Rota dos Túneis, que é o prolongamento natural da Linha do Douro, desde Barca D’Alva até Salamanca”.

“As pessoas, através de mão-de-obra voluntária, e através de donativos, estão a recuperar essa linha, a preservá-la - às estações e ao canal -, para manter tudo vivo, sem recorrer ao modelo demasiado oneroso que é a ciclovia”, explica Daniel Conde, defendendo que a aplicação deste modelo à Linha do Tua “é uma forma de a conservar e, ao mesmo tempo, de impulsionar a sua reabertura”.