Procuram-se candidatos para fazer o 11º e 12º no estrangeiro

07 fev, 2014 • Filipe d’Avillez

Há nove vagas, sete das quais com bolsas, para colégios em locais como o Canadá, Arménia, Alemanha e Suazilândia.  
Procuram-se candidatos para fazer o 11º e 12º no estrangeiro
Nove jovens portugueses têm este ano a oportunidade de ir fazer o 11º e o 12º para o estrangeiro, num dos colégios da rede United World Colleges (UWC).

A Associação Portuguesa dos UWC tem este ano sete bolsas entre os 100% e os 25%, e ainda duas vagas sem bolsa para o ano lectivo que começa em Setembro.

Clara Cruz, ex-aluna e presidente da Associação Portuguesa, explica com que intenção foram fundados estes colégios: “Surgem após a Segunda Guerra Mundial como solução para o conflito. A ideia é pôr jovens do secundário a conviver num ambiente onde podem conhecer outros, de outras nacionalidades, que através da convivência possam ultrapassar diferenças que possam ter.”

“Quando se vive com um iraquiano temos uma visão muito diferente do conflito daquela região. É diferente ver no noticiário e experienciar no dia-a-dia. Por exemplo, nestes colégios convivem israelitas e palestinianos, são situações que, se tivessem nos países de origem, não teriam oportunidade de conhecer o outro, de conhecer a diferença e ultrapassar conflitos.”

Esta foi uma experiência que Clara Cruz pode presenciar em primeira mão, quando estudou no Colégio do Adriático, em Itália, entre 1996 e 1998. “Os acontecimentos na ex-Jugoslávia ainda eram bastante recentes. No entanto os alunos de lá davam-se todos muito bem. Todos conseguiam entender-se numa língua comum, e isso é muito importante quando estamos fora de casa, ligamo-nos muito a quem fala a nossa língua. A única vez que vi alguma discussão foi quando houve um debate em que se abordou a questão da guerra, mas de resto era um grupo bastante coeso.”

Para a presidente da associação portuguesa, a realização do debate é prova de que nos colégios não se procura dourar a pílula ou evitar questões difíceis: “Pelo contrário, o debate é extremamente promovido nestes colégios. Estamos a falar de uma série de jovens, escolhidos cada um no seu país, são escolhidos os melhores de cada país. Estamos a falar de jovens extremamente activos na idade do questionar, na adolescência, que procuram questionar tudo o que está à volta, o próprio país, os outros países, isto leva a debates muito acesos, por vezes noite fora. Vivem num mundo global, mas aí estão confrontados com essa globalidade em todo o lado.”

Por esta razão procuram-se candidatos com um perfil específico, não é só por ter boas notas que a entrada é garantida. Os alunos que passam a primeira fase são convocados para um fim-de-semana de selecção, que inclui actividades e entrevista pessoal para tentar conseguir uma das vagas.

“Temos duas bolsas completas, uma para o Canadá e outra para a Alemanha. O colégio da Alemanha tem a particularidade de abrir este ano, em Friburgo, com um projecto muito interessante ligado à sustentabilidade e tecnologias para a sustentabilidade. Temos bolsas de 75% para a Holanda e Arménia, também uma novidade, e de 50% para os EUA, Índia, 25% para Hong Kong e vagas sem bolsa para o Reino Unido e Suazilândia”, explica Clara Cruz.

Os alunos completam o 11º e o 12º ano com o diploma International Baccalaureate, reconhecido pelo Ministério da Educação em Portugal, e as aulas são em inglês.

Os interessados podem encontrar todas as informações no site da APUWC, mas têm apenas até ao dia 12 de Fevereiro para fazer chegar as suas candidaturas.