Mar volta a causar estragos nas zonas costeiras

02 fev, 2014

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera prevê das 08h00 às 17h59 de hoje "altura significativa das ondas", entre cinco a seis metros de noroeste.
Mar volta a causar estragos nas zonas costeiras
Mar volta a causar estragos nas zonas costeiras
O presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica acusou hoje a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) de não ter depositado areia nas praias a norte, onde o mar galgou os molhes e provocou estragos esta madrugada. José Carlos Martins disse à agência Lusa que os estragos no paredão e em estabelecimentos de restauração têm "a ver muito com o não enchimento de areia" desde a praia do CDS até à do Norte, que "estava previsto para ser feito no início do verão e não aconteceu".
A forte ondulação que se faz sentir este domingo voltou a fazer estragos em várias zonas costeiras, desde a Caparica até Ovar.

O mar galgou às primeiras horas de domingo o paredão da Praia do Norte, na Costa da Caparica, e provocou estragos nos restaurantes e bares, relatou a Polícia Marítima da Costa da Caparica. As ondas, de cinco a seis metros de altura, abriram uma pequena cratera no paredão, em alcatrão, área que foi vedada.

O paredão está já transitável e os proprietários dos estabelecimentos de restauração estão a avaliar os prejuízos.

Joaquim Judas, presidente da Câmara de Almada, diz que o Estado tem obrigação de intervir: "Não pode haver dois critérios, deve haver emergência nas medidas a tomar. Quem tem responsabilidade sobre este território são o Governo e a APA. Que sejam tomadas as medidas que no plano institucional assegurem às pessoas que o Estado é uma pessoa de bem e que os protege. Que o Governo assuma a sua total responsabilidade. O ministro do Ambiente devia vir à Costa da Caparica."

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera prevê das 08h00 às 17h59 de hoje "altura significativa das ondas", entre cinco a seis metros de noroeste.

No distrito de Lisboa houve problemas no passeio marítimo de Cascais e na Praia Grande, em Sintra. As autoridades não chegaram a fechar o passei marítimo, mas desaconselham o seu uso. Já na Praia Grande a estrada que dá acesso ao areal foi cortada ao trânsito. Basílio Horta, presidente da Câmara de Sintra, explica que o encerramento da Estrada era apenas uma medida preventiva: "Neste momento por uma questão de prudência dei instruções de vedar o passeio. Com a maré cheia de certeza que a água vai passar para o outro lado, mas por enquanto não há prejuízo. Nem aqui, nem na Adraga, nem nas Azenhas, nem na Praia das Maçãs."

As ondas causaram ainda estragos mais a norte. Peniche, São Martinho do Porto e Nazaré sofreram danos materiais e em embarcações que levaram à intervenção dos bombeiros.

Durante a noite e primeiras horas da manhã, o mar avançou para zonas habitadas e causou algumas inundações, provocando prejuízos diversos em estabelecimentos comerciais, cafés, viaturas e embarcações.

Na Nazaré, "a forte ondulação do mar atingiu a marginal, que esteve cortada ao trânsito até às 07h00", disse à Lusa o comandante dos Bombeiros Voluntários (BV) da vila, João Estrelinha.

"O mar partiu as montras de um restaurante. Este é o único dano que registámos", disse João Estrelita, indicando que a intervenção dos Bombeiros Voluntários foi solicitada às 04h00 da madrugada.

Na região Norte, a zona do Furadouro, em Ovar, foi muito afectada. A zona comercial apresenta danos em lojas e restaurantes.

Em declarações à Renascença, o presidente da junta de freguesia Furadouro/Ovar, Bruno Oliveira, apela a medidas urgentes por parte da Agência Portuguesa do Ambiente, “para poder acautelar a segurança das pessoas e a defesa dos seus bens”.

As vagas destruíram os separadores de cimento e superaram as defesas de toda a avenida central do Furadouro, muros que separam o mar da zona onde estão situados estabelecimentos de restauração e habitações.

O paredão que existia no Furadouro está todo destruído e os bombeiros apelam à população para que que não se desloque para a avenida principal, numa altura em que, apesar de a agitação marítima ter diminuído de intensidade, ainda gera preocupação e obriga a prevenção por parte das autoridades.

A Praia do Furadouro é um dos casos mais graves de erosão costeira no país.

[Notícia actualizada às 15h00]