Ministro da Administração Interna anuncia promoções na PSP

03 dez, 2013

Questionado se as promoções se destinam a acalmar os protestos dos polícias, Miguel Macedo responde que "não é um problema de acalmar ou deixar de acalmar".
Ministro da Administração Interna anuncia promoções na PSP

O ministro da Administração Interna anunciou esta terça-feira que está a decorrer um processo de promoções na PSP, procedimento "previsto" e que abrange os agentes que ficaram de fora no ano passado.

"Está em curso um processo de promoções na PSP, tendo em vista as necessidades de enquadramento e operacionais que se registam, à semelhança do que aconteceu no ano passado", disse Miguel Macedo na cerimónia de tomada de posse dos novos comandantes da Unidade Especial de Polícia (UEP) e do Comando Metropolitano de Lisboa.

Questionado se as promoções se destinavam a acalmar os protestos dos polícias, o governante respondeu que "não é um problema de acalmar ou deixar de acalmar", mas sim o continuar de um processo que se iniciou no ano passado e que, "em regra" deve acontecer todos os anos.

O ministro adiantou que as promoções já estavam previstas e vão abranger vários postos da PSP, comissários, agentes e superintendentes.

Os polícias que vão ser incluídos neste processo são aqueles que "no ano passado não tinham, nos termos da lei, as condições para serem abrangidos por estas promoções", explicou o governante, acrescentando que, no ano passado, foram promovidos um maior número de polícias, tendo em conta que foi "a primeira vez em três anos que ocorreram promoções na PSP".

Na cerimónia de tomada de posse dos novos comandantes da UEP e da Comando Metropolitano de Lisboa, o ministro disse ainda que esta semana deve estar concluído o processo de admissão de 100 novos elementos para a PSP.

Protesto sem paralelo
Milhares de profissionais de forças e serviços policiais e de segurança - PSP, GNR, SEF, ASAE, polícia marítima, guardas prisionais, polícia municipal e PJ - manifestaram-se a 21 de Novembro junto ao Parlamento, em Lisboa. Durante o protesto, derrubarem uma barreira policial e conseguiram chegar à entrada principal da Assembleia da República, onde cantaram o hino nacional. Depois, desmobilizaram voluntariamente.

A polícia de choque recuou durante o avanço dos manifestantes e não carregou sobre os colegas de trabalho, que pediram a demissão do Governo. Num protesto sem paralelo, as forças de segurança contestaram os cortes previstos nos vencimentos e nos orçamentos das instituições policiais.

No dia seguinte ao protesto, a 22 de Novembro, o ministro da Administração Interna classificou como "absolutamente inaceitáveis" os acontecimentos que motivaram a invasão da escadaria do Parlamento, garantido que "foi uma excepção que não voltará a repetir-se".

Três dias depois, a 25, Miguel Macedo voltou a dizer publicamente que a invasão da escadaria da Assembleia da República pelos polícias em manifestação faz "parte da história", garantindo que "não pode nem vai repetir-se".

Estes acontecimentos motivaram o pedido de demissão do director nacional da PSP, Paulo Valente Gomes, que já foi substituído no cargo pelo superintendente Luís Peça Farinha, que era até aqui comandante da UEP.