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"Tenho pena que o ministro não faça parte dos 620 despedidos dos estaleiros de Viana"

28 nov, 2013

Presidente da Câmara de Viana está indignado com o modelo de concessão aprovado pelo Governo: Estado vai receber sete milhões de euros pelo negócio e tem de pagar 30 milhões em indemnizações. 
"Tenho pena que o ministro não faça parte dos 620 despedidos dos estaleiros de Viana"
"Tenho pena que o ministro não faça parte dos 620 despedidos dos estaleiros de Viana"
São uma das "grandes preocupações" do Governo e sobre eles paira um prenúncio de "desgraça social". Se fecharem podem mandar para o desemprego 700 trabalhadores e afundar definitivamente uma região já deprimida e muito dependente desta indústria. Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo têm o futuro em suspenso até Setembro, por decisão do Governo. Há mais de 20 anos que dão prejuízo ao Estado, mas não por falta de encomendas. A Renascença revisita a história de uma empresa à deriva.

O presidente da Câmara de Viana do Castelo não poupa criticas ao ministro da Defesa e à forma como José Pedro Aguiar-Branco conduziu o processo de concessão dos estaleiros navais da cidade. "Tenho pena é que ele [Aguiar-Branco] não faça parte do lote dos 620 a ser despedidos. O que o senhor ministro vai fazer é passar uma carta de despedimento colectivo, perdendo vínculos, direitos. As pessoas vão para a rua", lamenta José Maria Costa.

O autarca reage com muita preocupação ao anúncio feito quarta-feira: a Martifer é a empresa que vai explorar os estaleiros até 2031. O Estado recebe pelo negócio mais de 400 mil euros por ano, ou seja, cerca de sete milhões de euros no total. Por outro lado, o Estado vai ter de pagar já cerca de 30 milhões para despedir e indemnizar os mais de 600 funcionários que actualmente ainda trabalham na empresa.

"Depois, a empresa [Martifer] vai admitir os trabalhadores de que vai necessitar, mas podem ser estes ou não. Não há nenhuma carta de compromisso, porque isso não fazia parte do caderno de encargos da concessão", contesta o autarca.

A decisão "vai ter um impacto socioeconómico brutal" na região, garante José Maria Costa. "Esta empresa era geradora de 620 postos de trabalho directos e de 4.000 indirectos. Havias muitas empresas que dependiam dela."

Representantes da comissão de trabalhadores deslocaram-se a Lisboa esta quinta-feira para uma reunião no Ministério da Defesa.