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Os combustíveis "low cost" fazem mal aos veículos?

Prós e contras do combustível "low cost"

A tese de que os combustíveis de baixo custo prejudicam as viaturas no médio e longo prazo é tudo menos consensual. A Renascença foi ouvir quem produz combustíveis e quem trata dos veículos.
15-11-2013 6:30 por Carlos Calaveiras [com Dina Soares]

Ao fim de um ano, um condutor pode poupar entre 156 e 208 euros se abastecer sempre numa bomba "low cost", segundo simulações desenvolvidas pela Associação para a Defesa do Consumidor (DECO) a pedido da Renascença. Por que motivo há esta diferença de preços? E que consequências tem nos veículos, se é que tem? Estes combustíveis prejudicam as viaturas no médio e longo prazo?

Joaquim Cabeleira é mecânico em Lisboa e conta que já arranjou alguns carros com problemas alegadamente causados por combustíveis "low cost". "Num carro a gasolina, não tenho apanhado avarias causadas pelos combustíveis. Agora no gasóleo, sim. Na duração dos motores, das bombas, dos injectores..." Joaquim Cabeleira argumenta que estes problemas não são evidentes nas primeiras viagens, mas surgem "quando menos se espera" - e podem custar "mais de uma centena de euros".

Nuno Castela dirige um "pequeno império" de venda de combustíveis "low cost". A qualidade mínima, garante este empresário, está assegurada. Ainda assim, diz que há diferenças relativamente aos combustíveis tradicionais. "A diferença está na qualidade, que se vai sentir a nível dos consumos e da manutenção do automóvel."

A GALP, que fornece grande parte das bombas "low cost" do país, garante que estes combustíveis "cumprem todos os requisitos legais", mas admite que "há diferenças". "As marcas ditas tradicionais desenvolvem pacotes de aditivos que permitem uma lubrificação melhor do motor, facto que, a longo prazo, protege mais os motores do que os combustíveis sem aditivos", refere o porta-voz Galp Energia, Pedro Marques Pereira.

O "mito" dos "famosos aditivos"
Para a Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), que tem como competência garantir a qualidade dos combustíveis, "todos os combustíveis comercializados em território nacional têm que cumprir as especificações técnicas estabelecidas na legislação em vigor". Nesse sentido, a DGEG garante que essas especificações técnicas "aplicam-se a todos os combustíveis, independentemente de quem os comercializa", garantindo-se assim "a qualidade dos produtos e a salvaguarda das viaturas". A DGEG respondeu por escrito às questões colocadas pela Renascença.

Tito Rodrigues, jurista da DECO/Proteste, relembra um estudo elaborado pela associação de defesa do consumidor, designado "Igual ao litro", no qual é referido que as diferenças entre um combustível "premium", um regular e duas bombas "low cost" analisadas são "residuais, mínimas". "Em termos de eficiência e em termos de rendimento, são, se não absolutamente iguais, muito comparáveis naquilo que é a performance automóvel", afirma.

"Os famosos aditivos não se traduzem numa maior eficiência, numa maior economia por parte do carro, num maior número de quilómetros percorridos. Isto é um mito e foi um mito que nós provámos", acrescenta Tito Rodrigues.

Neste sentido, a DECO aconselha "os consumidores a procurarem o mais barato - seja 'low cost' ou as marcas tradicionais através de programas de fidelização -, porque os produtos são homogéneos". "Não estamos a fazer uma campanha pró-'low cost' - o que queremos é dizer que os consumidores devem procurar o mais barato, porque os produtos são rigorosamente homogéneos."

Nuno Ribeiro da Silva, ex-secretário de Estado da Energia, alinha com a tese da DECO. "O produto que as 'low cost' recebem é idêntico ao dos postos convencionais". "É essencialmente a GALP que vai fazer o abastecimento desse produto. É um produto que é fiável - naturalmente, a GALP é uma empresa idónea", afirma. "Depois, a questão que se pode colocar é se há algum tipo de fraude que possa ser praticada [no postos 'low cost']. Francamente, não acredito que ocorra, nomeadamente nos postos de marca branca nas áreas comerciais, porque isso seria negativo para essas marcas. Já em postos que não estão ligados a complexos comerciais, é competência da DGEG controlar e fiscalizar a boa qualidade e as boas práticas dos revendedores."

A Autoridade da Concorrência apresentou recentemente um relatório sobre os preços de combustíveis em Portugal no segundo trimestre deste ano. Segundo o documento, os combustíveis "low cost" mais que duplicaram a quota de mercado entre o início da crise, em 2008, e 2013 - passou de 12% para 25%.

Mais baratas porquê?
Por falar em preços. A diferença média entre uma bomba tradicional e uma bomba "low cost" ronda os 13 cêntimos, tanto no gasóleo como na gasolina, de acordo com os números do segundo trimestre divulgados pela Autoridade da Concorrência. A pedido da Renascença, a DECO desenvolveu um conjunto de simulações partindo deste diferencial.

No caso de um automóvel com um consumo de seis litros aos 100 e que faz 20.000 quilómetos por ano, o cenário de poupança com os combustíveis "low cost" é de 156 euros ano. Caso se trate de um consumo médio de oito litros aos 100, a poupança é de 208 euros por ano. Para combater esta diferença, as marcas tradicionais têm campanhas de fidelização, normalmente ligadas a hipermercados, fazem descontos, especialmente aos fins-de-semana, e juntam-lhe outros serviços - lavagem do automóvel, cafetaria, entre outros.

Mas, afinal, o que justifica estas diferenças? O ex-secretário de Estado da Energia Nuno Ribeiro da Silva diz que são várias as razões. Para começar, lembra o facto de as bombas "low cost" serem normalmente instaladas em "sítios menos valorizados", terem menos gastos com pessoal e estarem "confinadas apenas à venda do combustível, ou seja, sem serviços complementares". Já no caso das bombas ligadas a hipermercados, "a lógica do negócio não é fazer dinheiro na margem dos combustíveis - é o abastecimento do combustível ser uma maneira de atrair mais clientes, nomeadamente no fim-de-semana, para irem fazer outras compras".

Já o jurista da DECO/Proteste Tito Rodrigues refere que é no esmagamento das margens que correspondem ao próprio retalhista/vendedor [que ronda os 7%] que se vê o diferencial nos preços de uma bomba para outra. "As 'low cost' fazem um esmagamento desta margem [na gasolina] porque também beneficiam da venda de produtos acessórios nas lojas."

O porta-voz da Galp Energia, Pedro Marques Pereira, sustenta que "a diferença de preços entre as marcas tradicionais e as chamadas marcas brancas resulta de serem dois modelos de negócio diferentes". "As marcas brancas olham para a margem de uma forma global, incluindo os combustíveis e todos os outros produtos que estão no interior das lojas. É a combinação destas margens que resulta no preço e que leva a que provavelmente possam abdicar da margem na parte dos combustíveis para atrair clientes para as lojas, onde lhes vendem depois outros produtos que terão outras margens diferentes."

Pedro Marques Pereira acrescenta que, "no caso das marcas tradicionais, o negócio é diferente, os produtos são diferentes, são mais sofisticados, têm aditivos que melhoram a performance, permitem poupar os veículos e ajudam a prolongar a vida do motor". "Além disso, têm um nível de serviço que é bastante diferente do que se verifica nos postos ditos 'low cost', têm outros serviços associados, estão abertos 24 horas por dia em muitos casos e têm uma rede que chega a todos os pontos do país."

A Renascença contactou o Automóvel Clube de Portugal e os grupos Auchan e Mosqueteiros, que têm bombas "low cost", mas não obteve respostas em tempo útil.

Na sequência deste trabalho recebemos da Rede Energia a seguinte clarificação, que passamos a publicar:
- A Rede Energia aditiva 100% da gasolina e do gasóleo que é vendido nos seus postos e, por isso, estes combustíveis são comparados à qualidade dos produtos premium das marcas de referência – a Rede Energia garante a qualidade Máxima e não a Qualidade Mínima dos combustíveis;
- Os aditivos melhoram a performance e o consumo e promovem a limpeza dos componentes mecânicos dos automóveis, resultando em menores custos de manutenção do veículo;
- O aditivo utilizado pela REDE ENERGIA tem uma mistura de polímetros e nitrato de alquilo em álcool solvente hidrocarboneto e primário - é um aditivo sem cinzas que é formulado para dar aos combustíveis uma série de propriedades adicionais, tais como: Promover a limpeza dos bicos dos injetores, reduzir a corrosão nos tanques que contém o combustível, reduzir a formação de espuma durante o processo de enchimento do tanque, o que origina operações mais rápidas e mais limpas. Este aditivo contém também um componente que é concebido para aumentar o número de cetano do combustível, o que melhora as características de combustão e a capacidade de arranque, ao mesmo tempo que reduz o ruído do motor;
- A designação low cost surge porque os preços da Rede Energia atingem descontos que rondam os 17 cêntimos/litro, em comparação com os produtos premium das marcas de referencia: Esta comparação de preços com as marcas de referência é feita de acordo com os produtos base das companhias. Por norma as companhias comercializam os seus produtos premiumcom um acréscimo de cerca de 8 Cêntimos do produto base e, em comparação, a Rede Energia - porque só comercializa gasóleo e gasolina 100% aditivados – tem uma diferença que ascende aos 17 Cêntimos/litro.

Nuno José Castela
Rede Energia

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Comentários (120)
  • » Leonildo Morais j, Campo Maior, 16-12-2013 0:27

    Confirmo o que diz o Carlos de Pombal, porque sucedeu precisamente comigo no intermarché do Redondo há cerca de 4/5 anos. A viatura que estava abastecer a bomba deste supermercado tinha sido cheia nos depósitos da Galp. Para realizar tal abastecimento, as viaturas são colocadas em fila e cada condutor possui um cartão para proceder ao respectivo abastecimento. Assim, desta forma estão na fila viaturas das marcas brancas e viaturas das marcas para proceder ao respectivo abastecimento. Segundo o seu condutor, umas vezes o combustível era repsol, outras vezes Galp, conforme o mercado.
  • » Leonildo Morais, Campo Maior, 15-12-2013 23:32

    Relativamente ao assunto em discussão eu deixo a minha opinião e experiência que é diferente, mas semelhante, pelo facto de ser em Espanha: Tenho um 205 xad com 570.000 kms e tive um megane II que vendi com 260.000 kms e agora um megane III com cerca de 75.000, sempre assistidos na marca. Como vivo a cerca de 15 kms de Badajoz (Espanha) vejo-me na obrigação, desde há dez anos a esta parte, de pagar os meus impostos relativamente aos combustíveis à Junta da Estremadura Espanhola. Durante todo este tempo até ao dia de ontem, sempre as minhas viaturas foram abastecidas em postos low cost, primeiramente no Pryca, hoje Carrefour e posteriormente em bombas da concorrência, onde o preço por litro se discute ao cêntimo. Devo dizer que durante este período de tempo (e não é tão pouco como isso), nunca tive qualquer problema nas minhas viaturas, sendo que os 2 meganes foram adquiridos novos. Assim, tudo o que possam dizer acerca do tema, a mim não me convencem, primeiro pela experiência possuída e depois porque os combustíveis, tal como outros produtos estão devidamente regulamentados. Devo acrescentar que numa desta bombas onde abasteço as minhas viaturas os camions com matricula portuguesa fazem fila e se elez não se dessem bem com o combustível, seguramente não abasteceriam. Realço que o combustível utilizado nessa bomba é Galp, Repsol e Campsa, dependendo isso sim da cotação semanal do produto. Espero ter contribuído para alargar os conhecimentos com a minha experiência.
  • » 444 popóe do desgoverno, al gharb, 14-12-2013 19:41

    tem sido feito um esforço imenso para não se estragarem com os low cost Estragar por estragar que se estraguem os da policia não afecta aos governantes
  • » simoes , viseu, 11-12-2013 21:55

    eu nao preciso de combustiveis low cost pois abasteço na repsol aos mesmos preços com os descontos em bomba somados aos descontos em cartao,mas uma coisa è certa no gpl existe uma grande diferença nos consumos,ja testei varias vezes e o resultado è sempre o mesmo o gpl do jumbo faz muito menos kilometros
  • » NC, Lisboa, 10-12-2013 11:40

    Replica Se as gasolinas são todas iguais, explique o porquê de o Fiat Uno de 1992 (o ano passado e nos anteriores era abastecido com gasolina 95 octanas de marca e sempre passou á primeira) que tenho e que tem sido abastecido com gasolina do jumbo ao longo deste ano, ter chumbado com 7,5g/km de CO tendo-se verificado a afinação do parafuso que controla a mistura que estava no minimo que o motor aguenta sem se ir abaixo, mudou-se o filtro e velas (material comprado novo na Fiat), manteve-se a afinação do parafuso da mistura e o combustivel voltando a chumbar desta vez com 5,0g/km. Resolveu-se abastecer com gasolina de marca pois era a unica coisa que faltava alterar e para nosso espanto, passou com 2,0g/km. Por isso não podem ser iguais! Logo este "saloio" continua a preferir combustivel de marca Aproveito para desejar um feliz natal e um prospero ano novo para todos os comentadores :)
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  • » replica, Porto, 10-12-2013 3:10

    Deixem-se de aldrabices as gasolinas são iguais, e só os saloios é que acreditam que há diferença pqp os gamadores como galp e compª
  • » NC, lisboa, 09-12-2013 17:54

    No meu caso, no Nissan Terrano II que posuo, utilizo o Diesel BP Ultimate, noto uma subida de rotação superior, velocidade de ponta superior, menos espuma ao abastecer e uma emissão de fumo inferior ao gasoleo normal (tambem da BP). Em relação há limpeza do motor, substitui o injector de comando e comparando a sujidade que se acumula á volta do bico com o novo não havia diferença entre os dois. Neste momento está com 330 000km.
  • » F.Pinto, Queluz, 06-12-2013 3:59

    Pois acreditem ou não, o meu carro avariou mesmo com a gasolina low cost 380€ de reparação.
  • » Fernando Rodrigues., Alverca., 05-12-2013 0:11

    Eu uso tanto o gasoleo, como gasolina das bombas lokost. Á mais de 10 anos e nunca tive qualquer problema,mas conduzo á mais de 45 anos e sempre usei nos meus carros aditivos, não preciso que os ponham por mim,tenho uma ford transit,com 22 anos e no motor eos injectores são os que vieram em nova.
  • » NOG777, Lisboa, 04-12-2013 11:33

    Este estudo é bom, mas parte de uma base que não é devidamente fiscalizada: a certificação das bombas!!! Qtas bombas têm o certificado há mais de 1 ano?? Será que os litros que compramos são iguais aos que foram postos no depósito???? ..... Tenho mtas duvidas!!!! Cumprimentos a todos!
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