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“Tablet” substitui manuais escolares no Alentejo

18 set, 2013 • Rosário Silva

Agrupamento de Escolas de Cuba é pioneiro na utilização de dispositivo digital que substitui, a título experimental, os manuais escolares.
“Tablet” substitui manuais escolares no Alentejo

Duas turmas do Agrupamento de Escoas de Cuba são as protagonistas do projecto-piloto que permite aos alunos o uso de manuais escolares em formato digital. Ao todo são 44 alunos do 7º ano que vão integrar a experiência.

Ana Modesto tem 12 anos e é uma das participantes. Não é a primeira vez que tem um “tablet” na mão, mas agora vai servir para estudar.

“Tem mais a ver connosco e gostamos mais. Já descarreguei os livros, estive a ver tudo aquilo que tinha e fomos a uns sites que a professora mandou”, revela à Renascença.

O projecto, que começou a ser desenhado há pelo menos dois anos, é agora concretizado com a colaboração da Direcção Regional de Serviços do Alentejo (Ministério da Educação) e muito pela vontade e empenho do director do Agrupamento e dos professores que com ele trabalham.

Germano Bagão está orgulhoso, mas também consciente da responsabilidade uma vez que “sabia que ia ser difícil conseguir fazer um projecto destes, numa escola pequenina como a nossa, perdida aqui no meio do Alentejo e num meio socialmente desfavorecido”.

Mesmo assim, e sem desanimar, a ideia ganhou corpo, com metas para atingir. “O nosso objectivo é que possamos dizer, daqui a três anos, que este grupo de alunos que iniciou o sétimo ano em 2013/2014, se não 100%, mas uma grande percentagem deles, concluiu com sucesso o nono ano de escolaridade”, afirma Germano Bagão.

Tenham ou não internet em casa, os dispositivos cumprem a sua função. Rosário Alves é a directora de turma dos dois sétimos anos e a coordenadora do projecto e também sente que tem pela frente um desafio, uma vez que as tradicionais práticas pedagógicas são alteradas.

“Temos aplicações que nos disponibilizam todos os livros. Estamos agora na fase de actualizações, instalação de programas necessários para eles, nomeadamente da própria disciplina, para além de terem acesso a todos os conteúdos da escola virtual da Porto Editora”, revela.

No projecto estão envolvidos 17 professores, dois dos quais pertencem ao ensino especial, já que o estabelecimento de ensino aposta numa escola inclusiva.

Por estes dias, pais, alunos e professores andam eufóricos com os novos dispositivos. O projecto está delineado para decorrer durante três anos, período durante o qual se vai efectuando uma avaliação permanente, com a ajuda de especialistas da Universidade Católica Portuguesa.

Mais motivação, menos despesas, novas descobertas e também menos peso são as vantagens, para já, do novo sistema.

“Normalmente, chegava a casa e tinha os ombros na última. Acho que é uma iniciativa boa”, desabafa Afonso Palma, de 12 anos. E quem fala verdade não merece castigo!