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"Em Portugal, isto está mau"

07 ago, 2013

Na aldeia de Cabeça, na Serra da Estrela, muitos emigraram em busca de oportunidades que não tinham por cá. Voltam agora, nas férias de Verão, e não detectam melhorias. "Tanta austeridade e não chegamos a lado nenhum”, foi um dos desabafos ouvidos pela reportagem da Renascença.

A pacata aldeia de Cabeça, no concelho de Seia, deu dores de cabeça a muitos que, sem emprego, se viram obrigados a procurar oportunidades noutros países. Com pouco mais de 180 habitantes, existem 40 famílias emigrantes, a maioria no Luxemburgo. 

Depois do fecho de muitas fábricas de lanifícios, algumas aldeias da região da Serra da Estrela só por esta altura do ano vêem gente na rua, nos cafés e bares, nos restaurantes.

“Ver a nossa família é muito bom”, diz Ana Maria, enquanto cumprimenta a irmã, que, com ar de satisfação, replica: “Trazem chocolates”.

A família Alves acaba de chegar do Luxemburgo, onde  tem um café. O casal - Fernando e Ana Maria - olha para o país de origem com pessimismo. “Para mim, o país esta cada vez pior. Tanta austeridade e não chegamos a lado nenhum”, desabafa Fernando, adiantando que uma das principais diferenças de Portugal em relação reside no IMI: "Chegamos cá e damos conta que a casa tem outro preço”.

Ana Maria corrobora, afirmando que "em Portugal, isto está mau", por causa dos preços elevados. "O custo de vida está tão elevado como lá”, acrescenta, sendo certo que os rendimentos no Luxemburgo são superiores.  

Também a família Gouveia pinta um cenário cinzento do país que encontra no regresso para férias. Nuno Gouveia acha que “está complicado por aqui", notando-se que "falta de emprego" e que há "mais pobreza”.

A irmã de Nuno, Susana, pensa o mesmo: “É uma miséria, é tudo mais caro que lá. Qando se vai às compras, tudo aumentou. A gasolina é uma grande diferença e também as farmácias”. 

O país está mal, mas a aldeia de Cabeça não lhes sai da cabeça todo o ano. Uns e outros concordam que não há país como este. “Este ano, já vim duas vezes", revela Ana Maria Alves, justificando: "É o meu país, gosto do meu país".

A filha de Ana Maria, Mara, assiste e assume, de imediato: "Se Portugal melhorar, eu regresso. Sou logo das primeiras, Aqui, as pessoas e o tempo~são diferentes”. Ao lado, o namorado de Mara, Cláudio Simões, partilha o sonho do regresso e aposta na sorte, conferindo o boletim do euromilhões: “Estava a ver se tinha aqui a sorte... Já ficava aqui, não ia para o Luxemburgo". Depois, desabafa: "Mesmo assim, o Estado ia buscar-me algum”.