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Economista diz que “trabalho informal” vai aumentar

10 set, 2012

Professor de Economia da Universidade do Minho considera até que, moralmente, não se podem condenar os que menos ganham por  fugirem à legalidade.

O aumento da contribuição dos trabalhadores para a Segurança Social em 7 pontos percentuais vai fomentar o trabalho informal, diz o professor de Economia da Universidade do Minho, João Cerejeira.

“Quando se aumenta de uma forma demasiada os impostos sobre um determinado factor – e neste caso é o factor trabalho – o que nós vamos assistir é a um aumento da informalidade da economia portuguesa. Há estudos que indicam que rondava os 25% e vamos ter seguramente um aumento de práticas de trabalho informal: trabalho ao domicílio, trabalho em casa, trabalho que não é registado. Os incentivos para a informalidade são muito maiores”, disse.

Este economista considera até que, moralmente, não se podem condenar os que menos ganham por  fugirem à legalidade.

“No caso dos salários mais baixos, se verificarem as penalizações, moralmente não são injustificados porque, de facto, as pessoas não podem viver com menos de 400 euros por mês”, acrescenta.

Para João Cerejeira, o que o primeiro-ministro anunciou é um autêntico imposto sobre o factor trabalho. Vai-se atingir uma taxa que já é muito elevada para as famílias portuguesas e em que a maioria tem como única fonte de rendimento o seu trabalho, acrescenta.

Por outro lado, o investigador da Universidade do Minho não acredita que a medida leve ao aumento das contratações e fomente o emprego, antes pelo contrário.

Com menos dinheiro no bolso, os portugueses vão consumir menos e o desemprego vai continuar a subir, assim como a emigração dos mais qualificados, refere João Cerejeira.

Quanto à tributação do capital, João Cerejeira lamenta que se tenham dado passos tão curtos quando há tanto para actuar, nomeadamente  com a aplicação de taxas sobre o lucro derivado de rendas de monopólio, como é o caso do sector financeiro ou das telecomunicações.