O antigo governador do Banco de Portugal nega falhas de supervisão e diz que o ex-presidente do Banco Português de Negócios (BPN), Oliveira e Costa, tinha um currículo que falava por si.
Vítor Constâncio, na comissão parlamentar de inquérito à nacionalização do BPN, considerou que o fundador daquele banco apresentava experiência profissional mais do que suficiente para presidir o banco.
“Quanto à verificação da idoneidade é um ponto importante. Pessoas são recusadas se têm qualquer problema no seu currículo. No caso do presidente do BPN dificilmente se encontraria alguém com melhor currículo para ser presidente de um banco. Tinha sido director da supervisão no Banco de Portugal, depois foi presidente do BNU, depois foi secretário de Estado dos Assuntos Fiscais e, finalmente, foi vice-presidente do BEI”, afirmou Constâncio.
Constâncio diz que não era possível calcular custos da nacionalização
O actual vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE) referiu "na altura não era possível fazer qualquer cálculo sobre quanto é que a nacionalização iria custar no fim" e acrescentou que "em nenhuma nacionalização isso é possível".
Constâncio defendeu ainda a decisão da nacionalização do BPN, salientando que era a única possível para assegurar a estabilidade do sistema bancário português.
Sobre a proposta apresentada pela administração de Miguel Cadilhe para recuperar o banco, Constâncio afirmou: "Não teria nenhum problema em deixar Cadilhe à frente do banco, tinha uma equipa de gestão integra e competente. Mas o plano que tinham para salvar o banco era irrealizável".
Constâncio e proposta da 'troika'
O ex-Governador do Banco de Portugal garante que não teve intervenção na proposta feita pela 'troika' ao Governo português para a liquidação do BPN.
"Eu, pessoalmente, não participei", afirmou Vítor Constâncio, que respondia às questões colocadas pelo deputado do CDS-PP, João Almeida, no desenrolar da comissão de inquérito parlamentar dedicada ao BPN.
A 'troika' - Banco Central Europeu (BCE), Comissão Europeia (CE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) - propôs ao Governo português, no âmbito das
negociações relativas ao programa de assistência financeira ao país, a liquidação do BPN, tal como o antigo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, revelou
recentemente nesta mesma comissão.
"Acredito no que disse o Professor Teixeira dos Santos", realçou Constâncio, lembrando que "em Outubro de 2008, face às contingências existentes, a liquidação
não era adequada". Porém, segundo o responsável, "a partir do momento em que Portugal entrou num programa de assistência financeira, tudo mudou".
Constâncio reforçou: "Não se pode comparar [a proposta de liquidação feita pela 'troika' em 2011] com o que foi ponderado em Outubro de 2008".