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Em 2011 foi feito o maior ajustamento das contas públicas

15 mai, 2012 • Sandra Afonso

O balanço é do Banco de Portugal, no relatório anual sobre a economia portuguesa. O processo de ajustamento está a ser bem sucedido, mas com um preço alto, especialmente quanto ao desemprego.

Em 2011 foi feito o maior ajustamento das contas públicas

O Banco de Portugal confirma que o ajustamento promovido pela “troika” deixou marcas na economia no ano passado. O relatório do banco central considera que o processo de ajustamento está a ser bem sucedido, mas com um preço alto, especialmente quanto ao desemprego.

Sobre as despesas pesaram os chamados factores especiais, como as contas da Madeira e a recapitalização do BPN compensados com as medidas extraordinárias: a sobre-taxa sobre o subsídio de Natal e a transferência dos fundos de pensões da banca.

O saldo é positivo e o Banco de Portugal aponta para um processo de ajustamento bem sucedido. As contas externas estão melhor do que o esperado, as famílias e as empresas reduziram o endividamento e o sistema bancário está mais protegido.

No entanto, esta correcção chegou com um preço: o desemprego atingiu um pico, perto dos 13%, e ainda não parou de subir, mais de metade é considerado desemprego de longa duração e quase um terço atinge os jovens. As causas ainda estão a ser apuradas, porque, entretanto, mudou a série estatística, mas parte deste aumento poderá estar relacionado com ajustamentos permanentes nas empresas, à boleia da crise.

O rendimento disponível caiu, sobretudo para as famílias mas todos poupam agora mais. Privados e empresas cortaram nas despesas, o que fez descer a procura interna. A boa notícia é que a aposta para o crescimento continua a estar do lado das exportações, que registam uma evolução positiva.

Na economia há agora menos dinheiro a circular, mas as grandes empresas nacionais ajudaram a aliviar a pressão da banca, ao conseguirem por elas crédito lá fora. Ao sector público administrativo e às empresas do Estado é recomendada disciplina financeira.

A crise fez ainda com que muitos não residentes retirassem dinheiro dos bancos portugueses, mas esta queda foi compensada com o aumento dos depósitos dos residentes, em parte graças à troca de fundos e outros produtos financeiros no estrangeiro por depósitos no país.

Para o próximo ano o Banco de Portugal lembra que o desafio é regressar ao mercado para nos financiarmos, um objectivo que depende do cumprimento do programa da “troika”. Estamos no caminho certo, segundo o regulador, mas continuamos ameaçados por vários riscos, internos e externos.