A Comissão Europeia está, ao que tudo indica, a preparar um vasto programa para o crescimento económico. Bruxelas vai na próxima cimeira apresentar um projecto destinado a estimular o crescimento nos países mais castigados pela crise, incluindo Portugal.
A notícia é do jornal espanhol "El País", que dá conta de um plano de investimentos que passa pelas infraestruturas, energias renováveis e tecnologia de ponta, com a participação do sector privado, mas com uma condição muito própria - sem que isso custe dinheiro, ou pelo menos demasiado dinheiro.
Com este plano, Bruxelas dá uma resposta aos críticos dos programas de austeridade, pedidos sobretudo pela Alemanha. No sábado, numa entrevista a um jornal alemão, Angela Merkel anunciava a intenção de avançar com uma agenda para o crescimento.
Para Francisco Sarsfield Cabral, comentador da Renascença para questões económicas, é um passo importante, mas falta saber onde é que a Comissão vai buscar o dinheiro. “Neste momento toda a gente está convencida de que é preciso estimular o crescimento económico, até a senhora Merkel fala nisso. O problema está em saber como”, considera, acrescentando que “a iniciativa da Comissão Europeia é meritória, embora seja exagerado chamar-lhe um ‘Plano Marshall’.
“Isto porque a CE tem um orçamento pequeno para uma coisa destas. O que pode ser importante, sobretudo para Portugal, é a flexibilização do uso dos fundos estruturais. E também a tentativa de pegar no fundo de resgate que ainda não foi utilizado e aplica-la em investimentos. Será um passo positivo bem como pôr o Banco Europeu de Investimentos a dar mais crédito”, constata Franscisco Sarsfield Cabral.
“Simplesmente, também o banco precisa de dinheiro e terá que haver uma engenharia financeira muito imaginativa para se ter o dinheiro necessário”, conclui.