O vice-presidente do Banco Central Europeu, Vítor Constâncio, afirma que os bancos portugueses "resistiram bem" aos abalos recentes e não são motivo de preocupação para o regulador bancário europeu.
"Os bancos portugueses resistiram bem à situação de crise, que também resultou da pressão sobre o soberano e a dívida soberana", disse à Lusa em Washington, à margem das reuniões de primavera do FMI.
A recente auditoria internacional às carteiras dos bancos portugueses e respetivas valorizações "não deu resultados negativos visíveis", e veio mostrar que "tiveram a gestão adequada do risco de crédito neste período", que foi de turbulência nos mercados financeiros, sublinha.
"Isto foi muito importante porque revelou o cumprimento das regras em vigor e que a supervisão que foi feita nos últimos anos garantiu que as valorizações dos créditos estavam corretamente feitas nos balanços dos bancos",
adianta Constâncio.
O ex-governador do Banco de Portugal afirma que, apesar dos "desafios que resultam da situação geral da economia do país", que está em recessão profunda, "não existem neste momento preocupações com bancos portugueses como existem com outros países".
Para Constâncio, as instituições bancárias portuguesas estão também bem preparadas para o chamado "exercício de recapitalização" europeu, a que estão obrigados até Junho deste ano.
"Penso que está tudo previsto para que os bancos verdadeiramente cumpram esse objetivo, que é exigente, mas que coloca os bancos numa posição de melhor capitalização e portanto mais seguros para o futuro", adiantou.