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"Troika" admite que subsídios de férias e Natal acabem de vez

03 abr, 2012 • Daniel Rosário, em Bruxelas

"Teremos que ver isso. Por agora, por razões constitucionais, a duração é de dois anos. Teremos que ver se isto se tornará uma medida permanente ou não, mas isso agora não foi discutido", refere o chefe adjunto da missão da "troika", Peter Weiss.
A “troika” não exclui que o corte dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos portugueses venha a ter carácter permanente.

O fim do 13º e do 14º mês deverá durar até 2013, enquanto durar o programa de ajustamento, mas, na apresentação da mais recente avaliação da implementação deste programa por Portugal, Peter Weiss, o chefe adjunto da missão da “troika”, não descartou a possibilidade de tal medida vir a assumir carácter permanente.

“Teremos que ver isso. Por agora, por razões constitucionais, a duração é de dois anos. Teremos que ver se isto se tornará uma medida permanente ou não, mas isso agora não foi discutido”, afirmou.

Na apresentação do relatório, Weiss destacou ainda o aumento do desemprego e os seus custos orçamentais como a principal preocupação dos credores internacionais. Por isso, a “troika” defende que Portugal reduza ainda mais a duração do subsídio de desemprego prevista para os trabalhadores com mais de 20 anos de serviço.

Quanto ao aumento do desemprego, que atingiu os 15% e superou as previsões da própria “troika”, a explicação deste responsável europeu é, no mínimo, peculiar: “Pode até acontecer a pedido dos trabalhadores, que é claro que estão interessados em ter uma maior duração do subsídio de desemprego, que pedem ‘em vez de me despedir em Abril, despeça-me em Março’ - pode ser isso. Isto está sempre a acontecer: quando se aumenta os impostos sobre o tabaco, as pessoas começam a comprar cigarros. Isto é um comportamento normal. Não temos quaisquer provas disso, mas avancei isso como uma das razões, porque, como eu disse ,nós não entendemos completamente os números”.

No cômputo geral,  a “troika” consdiera que o desempenho de Portugal está a ser assinalável e dá luz verde ao pagamento dos 15 mil milhões de euros da quarta tranche do programa de ajuda, o que poderá acontecer no final de Maio ou início de Junho.

A Comissão Europeia apresentou o seu relatório sobre a terceira avaliação do programa de ajuda externa. O documento é globalmente positivo para Portugal, mas inclui alguns alertas, nomeadamente sobre o desemprego e o custo excessivo das rendas de energia.