O líder parlamentar do PS diz que as "considerações" do presidente do Parlamento Europeu sobre a política externa portuguesa são "inapropriadas" e que o Governo "deveria dizer alguma coisa".
Questionado pelos jornalistas sobre se o Governo deveria reagir às afirmações de Martin Schulz, mas também de Merkel, que esta semana apontou a Madeira como um exemplo de má aplicação de fundos estruturais, Zorrinho respondeu: "Sim, acho que deve dizer alguma coisa sobre as declarações da senhora Merkel. É uma declaração inaceitável de uma figura de Estado que tem o mesmo nível do nosso primeiro-ministro", disse Carlos Zorrinho no Parlamento, quando respondia a questões no final de uma reunião da bancada do PS.
"Em relação ao senhor Schulz, é também normal que o Governo reaja e gostava de salientar que as suas declarações têm maior legitimidade e têm duas dimensões: uma dimensão em que é preciso explicar que a interferência não é bem-vinda, que é o caso da análise da nossa política externa, e uma outra situação em que é bem-vinda a noção de que a Europa tem de ter uma política mais coesa entre os vários países e que só isso permitirá que depois os vários países da União Europeia possam ter relações internacionais sem que seja colocada em causa a coesão do espaço europeu", acrescentou.
Para Carlos Zorrinho, o "estatuto" da chanceler alemã e de Martin Schulz são porém diferentes, já que Merkel "responde por um Estado soberano igual ao Estado português e a sua interferência é inaceitável".
"O senhor Schulz é o presidente do Parlamento Europeu e, portanto, tem uma legitimidade diferente. Não obstante, consideramos que as suas considerações sobre a política externa portuguesa são infelizes e inapropriadas", disse o líder parlamentar socialista aos jornalistas, no Parlamento, quando respondia a questões no final de uma reunião da bancada do PS.
Zorrinho fez questão de "salientar" que as declarações de Schulz têm duas dimensões e que o PS considera que "as suas considerações sobre a necessidade de a Europa ser mais coesa, de apostar mais no seu desenvolvimento interno, exactamente para evitar que os países tenham esta necessidade de se afirmar em alianças estratégicas fora do contexto europeu, é um alerta oportuno".