O Partido Socialista diz que o primeiro-ministro começa a perceber que a falta de crédito provoca recessão em Portugal, mas está “prisioneiro do seu próprio discurso”.
“O Sr. primeiro-ministro começa a perceber que o programa de ajustamento, que ele diz ser necessário e positivo para Portugal, pode não o ser”, afirma o deputado João Galamba, em declarações à Renascença.
Em causa estão as afirmações de Pedro Passos Coelho que, em entrevista ao semanário “Sol” admite que as restrições no acesso ao crédito bancário podem comprometer o sucesso do programa de assistência financeira.
Numa leitura a este excerto da entrevista do primeiro-ministro, que será publicada esta sexta-feira, o deputado socialista considera que Passos Coelho se precipitou quando defendeu as supostas virtudes do programa da “troika”.
“Os bancos, segundo o programa de ajustamento, têm de reduzir o volume de concessão de crédito à economia, só que essa redução provoca recessão em Portugal e eu penso que o Sr. primeiro-ministro começa a perceber isto, só que tem um problema, é que o Sr. primeiro-ministro está prisioneiro do seu discurso”, acusa João Galamba.
Para o deputado socialista, Passos Coelho “está a tentar encontrar maneira de, sem abandonar o discurso do último ano e meio, compatibilizar com a necessidade de mudanças no programa de ajustamento português”.
Só que isso coloca-lhe um problema, prossegue, “como é que ele compatibiliza a constatação de que neste momento a economia portuguesa caminha para uma recessão profunda que aproxima Portugal perigosamente da Grécia com o seu discurso do último ano e meio”.