O Wall Street Journal (WSJ) considera cada vez mais real a possibilidade de Portugal necessitar de um novo plano de ajuda internacional.
O diário norte-americano escreve hoje que crescem os receios entre investidores, economistas e políticos de que Portugal não seja capaz de regressar aos mercados no próximo ano, o que pode obrigar a negociar um segundo empréstimo.
O jornal cita um relatório do Instituto de Finanças Internacional, segundo o qual a viabilidade de Portugal regressar aos mercados financeiros no próximo ano é "problemática", e admite, ainda, que o Fundo Monetário Internacional (FMI) possa exigir que Lisboa apresente planos de financiamento um ano antes de libertar mais ajuda, tal como aconteceu com a Grécia.
"Com as taxas de juro sobre as obrigações do Tesouro português ainda acima dos 12%, apesar de descidas recentes, parece improvável que se concretize [o regresso aos mercados], mesmo que as metas orçamentais sejam cumpridas", lê-se, lembrando-se que Portugal vai ter que regressar em pleno aos mercados em 2013 para conseguir os 9 mil milhões de euros que vencem em Setembro do próximo ano.
Escrito pela correspondente em Lisboa do WSJ, o artigo cita também o ex-ministro das Finanças Fernando Teixeira dos Santos: "O drama disto tudo é que podemos fazer o nosso trabalho exactamente como nos foi pedido e, se a Europa não tiver uma resposta adequada, poderá ter sido tudo em vão".
O jornal falou ainda com o director da corretora de investimentos FxPro, Michael Derks, para quem "os detentores de obrigações vão estar cientes de que as perspectivas de Portugal pagar integralmente as suas dívidas são muito reduzidas".
O Governo português tem, por seu lado, rejeitado a possibilidade de o país necessitar de um novo pacote de ajuda financeira internacional.