Sem receitas extraordinárias, o défice este ano ficaria perto dos 8%. As contas são da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), que funciona na Assembleia da República.
Numa análise ao Orçamento Rectificativo deste ano, a UTAO conclui que o défice iria atingir os 7,9% (bem acima dos 5,9% acordados com a “troika”), não fosse o recurso a medidas temporárias. As contas desta unidade independente ficam também acima das estimativas do próprio Governo, que coloca o défice nos 7,7% sem receita extraordinária.
De acordo com o relatório da UTAO, a previsão de receita é agora superior ao que foi apresentado à “troika” durante as negociações do empréstimo internacional. São cerca de três mil milhões de euros a mais, graças, sobretudo, à transferência do fundo de pensões da banca para a Segurança Social, com a qual o Estado conta encaixar cerca de 2,7 mil milhões de euros.
As Finanças esperam também arrecadar mais impostos este ano e para isso contribuem a sobretaxa sobre o subsídio de Natal e a antecipação do aumento do IVA no gás e na electricidade.
Mas o Estado também conta gastar mais. A despesa foi revista em alta – uma diferença na ordem dos três mil milhões de euros, justificada em grande medida com encargos com juros e outras despesas de capital.