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Descobertas perdas de 1,5 mil milhões nos últimos dias de Salgado

31 jul, 2014 • Sandra Afonso

Antiga administração contrariou ordens do Banco de Portugal e poderá ter feito “actos de gestão gravemente prejudiciais para os interesses do BES”.
Descobertas perdas de 1,5 mil milhões nos últimos dias de Salgado

A auditoria externa ao Banco Espírito Santo (BES) descobriu perdas de cerca de 1,5 mil milhões de euros na recta final da administração de Ricardo Salgado, afirma o Banco de Portugal, em comunicado divulgado esta quinta-feira.
 
A instituição liderada pelo governador Carlos Costa escreve que estas perdas foram identificadas apenas “na segunda quinzena de Julho”, pouco antes da chegada da nova administração de Vítor Bento.

Este valor foi integrado nas contas do primeiro semestre e agravou “substancialmente” o valor das perdas, que no total ascenderam a 3,57 mil milhões de euros, pondo em causa o “cumprimento dos rácios mínimos de solvabilidade vigentes”.

No dia 11 de Julho, o Banco de Portugal anunciou que o BES tinha fundos próprios suficientes para acomodar eventuais impactos negativos da exposição ao Grupo Espírito Santo (GES).

Os resultados dos primeiros seis meses do ano demonstram que a “almofada” de 2 mil milhões teria sido suficiente para acomodar os prejuízos até 30 de Junho - não fossem os 1,5 mil milhões identificados nos últimos dias de Salgado no banco.

De acordo com o Banco de Portugal, antes da nomeação da nova administração, há indícios da “prática de actos de gestão gravemente prejudiciais para os interesses do BES e um claro incumprimento das determinações emitidas” pelo supervisor.

"Limpeza"
Para avaliar as responsabilidades individuais, incluindo as do anterior presidente executivo, Ricardo Salgado, do ex-administrador financeiro, Amílcar Morais Pires, e de outros membros da comissão executiva que entretanto renunciaram aos cargos, o banco central recorda que está já em curso uma auditoria forense.

O Banco de Portugal determinou ainda que o BES avance com um aumento de capital e decidiu inibir os direitos de voto da Espírito Santo Financial Group (ESFG) no BES e da sua “sub-holding” Espírito Santo Financial (Portugal).

Estão ainda suspensos, com efeitos imediatos, os administradores com os pelouros de auditoria, "compliance" (observação de normas) e gestão de risco, assim como os titulares do órgão de fiscalização do BES.

Vai ser designada uma comissão de fiscalização, com quadros superiores da consultora PricewaterhouseCoopers, até que os accionistas substituam a comissão de auditoria. Tudo para garantir a estabilidade do banco, para que o reforço de capital seja realizado nas melhores condições.

O Banco de Portugal reafirma que o BES reúne as “condições necessárias” à continuação da sua actividade e estão protegidos os interesses dos depositantes.

O Banco Espírito Santo acumula prejuízos de 3.577,3 milhões de euros, indicam os resultados do grupo relativos ao primeiro semestre do ano. Os prejuízos históricos anunciados esta quarta-feira à noite são os piores alguma vez registados por um banco português.