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Nova fórmula de calcular PIB é "imoral, antiética e inadmissível"

11 jun, 2014 • Celso Paiva Sol

Estados europeus não deveriam recorrer a "artificialismos" para compor as contas, defende Paulo Morais, da Associação Cívica Transparência e Integridade.

Nova fórmula de calcular PIB é "imoral, antiética e inadmissível"

A nova fórmula de calcular o Produto Interno Bruto (PIB), que inclui a prostituição e o tráfico de droga, é “imoral, antiética e inadmissível”, acusa Paulo Morais, vice-presidente da Associação Cívica Transparência e Integridade.

“Tornar, aparentemente, contabilizáveis actividades ilegais é, no fundo, estar a legalizar o ilegal e, portanto, isto é imoral e antiético e, sob o ponto de vista de políticas públicas, é completamente inadmissível”, diz o professor universitário, em declarações à Renascença.

A situação chega a ser “anedótica” e os Estados europeus não deveriam recorrer a "artificialismos" para compor as contas, defende.

“Do ponto de vista económico e contabilístico, há aqui um artificialismo, que é, apesar de a realidade ficar toda na mesma, vamos meter aqui uns números no denominador para fingir que as coisas estão melhor", diz.

Paulo Morais sugere, em última análise, por que não incluir no PIB “actividades tão legais como o tempo que as mães passam a tratar dos filhos, o apoio familiar que os avós dão aos netos, e por aí fora ou, já agora, contabilizem também os roubos porque também contam para o Produto Interno Bruto, uma vez que há transferência de dinheiro”. 

“Eu acho isto um verdadeiro disparate", reforça o vice-presidente da Associação Cívica Transparência e Integridade.

O tráfico de droga, a prostituição e o contrabando de tabaco e de álcool também vão contar para apurar a riqueza do país. A integração destas actividades no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) decorre do novo sistema europeu de contas que entra em vigor a partir de Setembro.

O novo método de cálculo das contas nacionais vai fazer aumentar o PIB em cerca de 2,5%.