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Estado encaixa 31 milhões com aumento do salário mínimo

29 mai, 2014

Do aumento de 15 euros, os trabalhadores recebem cerca de 11. Os patrões terão de pagar por cada funcionário mais 19 euros por mês. Contas feitas pelo bastonário dos Técnicos Oficiais de Contas a pedido da Renascença.

Estado encaixa 31 milhões com aumento do salário mínimo

Com apenas 15 euros a mais por mês no ordenado dos 600 mil trabalhadores que recebem o salário mínimo em Portugal, os cofres dos impostos encaixam mais de 31 milhões de euros por ano, valor que inclui os impostos dos trabalhadores e dos patrões.

"O trabalhador no final de cada mês, por efeito de um aumento de 15 euros, vai ter um aumento de impostos em IRS e Segurança Social de 3,825 euros. Ou seja, dito de outra maneira, o aumento acaba por ser só de 11,2 euros por cada mês", explica à Renascença o bastonário dos Técnicos Oficiais de Contas.

Com este possível aumento no salário mínimo, que será discutido esta quinta-feira em sede de concertação social, vão cair nos cofres do estado dois milhões de euros por ano, em IRS e contribuições para a Segurança Social.

Do lado dos patrões os gastos são mais significativos: quase 30 milhões de euros. Sobem os ordenados, logo sobem os impostos.

"A entidade patronal, no final do ano, vai pagar mais 210 euros de salários aos seus colaboradores. Mais 49,88, que são os 23,75% para a Segurança Social. Mais 10,5 euros que são os 5% do seguro de trabalho. Dá um total de 270,38 por ano, o que, dividido por 14 meses, dá um encargo todos os meses de 19,31 euros [por trabalhador]", refere Domingos Azevedo.

"Do lado das entidades patronais, o Estado vai receber o aumento da Segurança Social no valor de 49,88, o que, a multiplicar por 600 mil [número de pessoas que recebem o salário mínimo em Portugal], dá 29 milhões e 929 mil euros", diz.

O aumento do salário mínimo será discutido esta quinta-feira pelos parceiros sociais, em Lisboa.

Na quarta-feira, o presidente da Confederação Empresarial de Portugal, António Saraiva, afirmou que a base inicial de 500 euros para a discussão do novo acordo sobre o salário mínimo em Portugal é "um dado praticamente adquirido".