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Pequenas e médias empresas dão trabalho mas bancos não lhes dão crédito

26 nov, 2013 • Sandra Afonso, na Lituânia

Em 2012, foram recusados 27% dos empréstimos. Muitos outros nem chegaram a dar entrada. Em matéria de apoios estatais, as PME receberam 4% dos auxílios em 2011. E os pagamentos em atraso por parte de entidades públicas são outro grande entrave.
São as principais empregadoras no país mas não têm acesso ao crédito nem estão a beneficiar dos apoios estatais. O diagnóstico para as pequenas e médias empresas portuguesas foi apresentado esta terça-feira pela Comissão Europeia, na informação anual sobre o "small business act", um programa criado para apoiar as PME.

Em Portugal, estas empresas representam a esmagadora maioria do tecido empresarial e são responsáveis por quase 80% dos postos de trabalho. A recuperação do país passa por elas e não basta equilibrar as contas públicas.

Apesar de a banca insistir que há dinheiro disponível para emprestar, o acesso ao crédito é difícil e caro. Em 2012, foram recusados 27% dos empréstimos, sem contar com os que nem sequer chegaram a dar entrada.

A agravar a situação, os apoios públicos, incluindo garantias, diminuíram. Segundo os dados da Comissão Europeia, existem consideráveis fundos disponíveis mas não estão a ser canalizados para as novas empresas. Iniciativas como o banco de fomento podem reduzir estes entraves, mas para já não passam de estimativas.

Portugal também não é bom aluno em matéria de apoios estatais. Apesar de a esmagadora maioria das empresas ser PME e empregar oito em cada 10 trabalhadores no privado, em 2011 receberam apenas 4% dos auxílios estatais ou contratos públicos disponibilizados.

Os pagamentos em atraso, sobretudo por parte de entidades públicas, são outro entrave identificado. A “empresa na hora” permitiu criar um novo negócio de modo quase instantâneo, mas os nossos políticos esqueceram-se do passo seguinte: de acordo com o documento de Bruxelas, a gestão diária de uma empresa continua minada de actos burocráticos.

O relatório olha para os próximos anos com um optimismo cauteloso. Para 2014, é esperado o crescimento moderado da economia, mas não se vislumbra ainda a recuperação para os níveis anteriores à crise.