Europa ajuda também... em África

04 mar, 2015 • Filomena Barros

Hoje vamos dar a conhecer neste espaço um projecto apoiado pela União Europeia e pela Cooperação Portuguesa. Mais um exemplo de como se aplicam os fundos europeus.
Europa ajuda também... em África

O “Projecto Bafatá” tem como prioridade o acesso à água de qualidade. Está a ser desenvolvido na Guiné-Bissau e visa aumentar a rede de abastecimento na cidade. Começou a ser desenvolvido em 2010 e, até ao final deste mês, pretende garantir que metade da população tem acesso à água melhorada ou potável.

O projecto tem impacto no dia-a-dia das pessoas que vivem em Bafatá, previne doenças e promove também a reconstrução política e social do país. De recordar que a Guiné Bissau é um dos países mais pobres da África Ocidental. Em 2010, apenas 66% das famílias tinham acesso a água potável.

Bafatá, segunda cidade do país, tem quase 30 mil habitantes e Mussa Sanhá, o presidente da ASPAAB que é a empresa gestora do serviço de abastecimento de água, lembra que, no início do projecto, apenas 17% da população tinha água, mas com serviço irregular.

Está agora a terminar a segunda fase do projecto, que vai levar à agua a metade da população e durante mais horas.

Tudo o que está a ser feito visa, tão simplesmente, permitir à população de Bafatá que, em casa, possa abrir a torneira e ter água potável para consumir. Um trabalho que implica muitas obras para reabilitar ou construir infra-estruturas.

A TESE - organização não-governamental para o desenvolvimento - é a promotora deste projecto. David Afonso está no terreno a acompanhar as obras. É o coordenador da equipa na Guiné-Bissau e explicou à renascença o que se pretende fazer. Todas as actividades estão incluídas na candidatura apresentada à União Europeia, e ao Instituto Camões, em Portugal, que são as principais entidades financiadoras do projecto em Bafatá.

A TESE, a EPAL (empresa de águas de Lisboa), a empresa guineense ASPAAB e o Governo de Bissau, estão também a contribuir. Numa primeira fase foram investidos 450 mil euros. Nesta segunda fase, serão à volta de 750 mil euros.

O dinheiro da Cooperação Portuguesa é atribuído no âmbito do processo de candidaturas anuais das ONG. Quanto aos fundos de Bruxelas, chegam através da candidatura ao programa para actores não estatais, lançado pela delegação da União Europeia na Guiné-Bissau. Uma linha de apoio criada em diálogo com o Governo, para atender a áreas prioritárias: neste caso foi o abastecimento de água.

Podem concorrer as organizações não-governamentais, nacionais ou estrangeiras, mas que estejam a trabalhar na Guiné-Bissau. É o caso da TESE, organização portuguesa, criada em 2002, que se virou em 2008 para o território guineense. Em Bafatá, tudo começou com uma viagem exploratória, depois os contactos com as autoridades locais e as empresas do sector.

Segundo o coordenador do projecto, David Afonso, este ano o objectivo é chegar a 50% da população, ou seja, à volta de 15 mil pessoas. Além das obras, da construção de furos, reservatórios e condutas, é preciso trabalhar ao nível da sensibilização.

Mussa Sanhá, é o presidente da Associação de Saneamento Básico Protecção da Água e Ambiente de Bafatá, e diz que “a questão não é dinheiro, mas perceber a importância do serviço”.

A campanha de sensibilização já foi realizada porta-a-porta, para levar a informação a todos os residentes de Bafatá, mas também nos locais públicos, para passar a mensagem.

Foi preciso explicar à população por que razão tem de pagar para ter água em casa e, actualmente, há muitos que pagam o que consomem. O retorno do investimento vai permitir a expansão da rede nos próximos anos.

A TESE na Guiné-Bissau, tem 10 elementos, trabalha com a ASPAAB, com a Direcção-Geral de Recursos Hídricos e com o Governo guineense, num projecto com fundos europeus e dinheiro da cooperação portuguesa. 2015 é o Ano Europeu para o Desenvolvimento e David Afonso espera que Portugal, a Europa e outros parceiros não deixem de investir em Bissau.

Instituto Camões também se envolve
O Instituto Camões é também uma das entidades financiadoras deste projecto em Bafatá. Um apoio atribuído através do financiamento de Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento. Gonçalo Marques, vice-presidente do Instituto, tem em mãos a área da cooperação e, numa entrevista à Renascença, explicou que este apoio financeiro justifica-se, desde logo, pelos dados das autoridades da Guiné-Bissau.