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Crise rouba 100 mil adeptos aos estádios portugueses

28 nov, 2012 • Pedro Azevedo

Quebra é de 12%. Jorge Silvério, coordenador dos Oficiais de Ligação aos Adeptos da Federação Portuguesa de Futebol, aponta as causas e preconiza soluções para os números preocupantes do primeiro terço do campeonato.
Em relação ao campeonato anterior regista-se uma quebra de 12% nas assistências. Jorge Silvério, coordenador da FPF dos Oficiais de Ligação aos Adeptos (OLA), aponta as causas e preconiza soluções para os números preocupantes do primeiro terço da 1ª Liga de Futebol.

753 mil espectadores é o registo, no total, do número de adeptos nos recintos da I Liga nas primeiras dez jornadas do campeonato, menos 12% do que na época anterior. Quando comparada com 2008, a diminuição é de 18%.

Jorge Silvério, coordenador dos Oficiais de Ligação aos Adeptos (OLA) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), tem explicações para os números. "A crise explica em parte o que se está a passar. Há uns tempos, o futebol perdeu a corrida do conforto. Começaram a aparecer muitas actividades concorrenciais ao futebol, que proporcionam mais condições de conforto, como os centros comerciais. Com os novos estádios, as condições melhoraram, mas ainda se notam diferenças", conclui o responsável federativo numa entrevista a Bola Branca.

Os números da afluência do público nas primeiras dez jornadas do campeonato são preocupantes. Jorge Silvério alerta para a urgência de um conjunto de medidas para atrair mais público. Como exemplo destaca "a bancada da família, com preços reduzidos, uma boa medida já aplicada pelo Benfica". "Em vez de 30 ou 40 mil espectadores nas bancadas, poderão estar 50 ou 60 baixando um pouco os preços", sustenta. 

Mas há outros aspectos que o coordenador dos OLA enumera. "É preciso dar valor e impacto à maioria silenciosa nos estádios. Os adeptos que não integram as claques e que são a grande maioria. Quando se fala de adeptos, relaciona-se com claques. É uma percepção errada. Quando olhamos para o número de incidentes das claques, são reduzidos, mas têm muito impacto na opinião pública. Há que combater a ideia dos adeptos de futebol estarem associados à violência".

Outra preocupação prende-se com o horário dos jogos. "Também explicam a dimuinuição dos adeptos nos estádios", reconhece.

"A fraca temporada do Sporting não está a afectar a quebra"
A competitividade é outro aspecto que pode afectar o interesse dos adeptos pelos jogos. Mas o caso do Sporting não é exemplo, porque as assistências em Alvalade aumentaram esta época.

"O facto de haver competitividade é extremamente importante. Sejam dois ou mais clubes na luta pelo título. O negativo seria se as pessoas imaginassem que o primeiro lugar estaria atribuído. Outro dado em contraciclo com a diminuição de espectadores é que a média de golos tem aumentado. Se não estivesse a acontecer isso, a quebra seria ainda maior", conclui Jorge Silvério.

Mestre em psicologia do desporto, Jorge Silvério foi provedor do adepto da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, antes de assumir na FPF o cargo de coordenador dos OLA.