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Trabalhadores do privado vão perder mais de um salário líquido

07 Set, 2012 • Ricardo Vieira

Descontos dos trabalhadores do privado para a Segurança Social sobem, funcionários públicos e reformados perdem dois subsídios e as contribuições das empresas descem, anunciou o primeiro-ministro.
Descontos dos trabalhadores para a Segurança Social sobem, contribuições das empresas descem e reformados perdem dois subsídios, anuncia o primeiro-ministro.

Pedro Passos Coelho anunciou que os trabalhadores do sector privado vão passar a descontar 18% para a Segurança Social. Na prática, o aumento de sete pontos percentuais equivale uma perda superior a um salário líquido por ano.

Por exemplo, um contribuinte casado, dois titulares, com um filho e um salário bruto de 1.000 euros vai passar a descontar mais 70 euros por mês para a Segurança Social. Depois de todos os descontos (IRS incluído), fica com um salário líquido de 730 euros. No final do ano, perde 980 euros (pressupõe o pagamento de 14 meses) com o aumento de descontos para a Segurança Social, valor que é superior ao salário líquido de 730 euros.

Um outro caso: quem é solteiro, não tem filhos e recebe 700 euros brutos, vai passar a descontar mais 49 euros por mês. Depois de todos os descontos, fica com 536 euros líquidos. No final do ano, e com os aumentos para a segurança social, vai perder 686 euros - também superior a um salário líquido.

Nos vencimentos mais elevados, há situações em que as perdas podem ir até dois salários líquidos. Se pretender simular o seu caso, pode usar a calculadora da Renascença.

Em contrapartida ao aumento para os trabalhadores do privado, as contribuições das empresas - a taxa social única (TSU) - descem de 23,75% para 18%, anunciou o primeiro-ministro.

Funcionários públicos e pensionistas também são penalizados 
Quanto aos funcionários públicos, na prática,  vão perder o equivalente a dois subsídios. Um será perdido de uma só vez.

"A subida de sete pontos percentuais na contribuição dos trabalhadores será igualmente aplicável aos funcionários públicos e substitui o corte de um dos subsídios decidido há um ano", revelou Pedro Passos Coelho, na declaração que fez ao país esta sexta-feira.  

Por outro lado, o Governo vai diluir o valor de um subsídio por 12 meses de salário. Aparentemente, os funcionários públicos vão ganhar mais, mas não é bem assim. Isto vai fazer com que muitos subam de escalão de IRS, o que implica mais descontos. Mas há mais: como o novo desconto de 18% para a segurança social passa a incidir sobre um valor mensal bruto maior, também vai haver mais perdas. Tudo somado, os funcionários públicos ficam sem o equivalente a um outro subsídio. 

No caso dos pensionistas e reformados, "a suspensão dos dois subsídios permanecerá em vigor" até ao final do plano de assistência da "troika", anunciou Passos Coelho.

As medidas vão ser incluídas no Orçamento do Estado para o próximo ano e pretendem compensar o chumbo do Tribunal Constitucional aos cortes nos subsídios de férias e Natal dos funcionários públicos e pensionistas.

Desemprego e grandes riquezas
O chefe de Governo considera que estas são as medidas adequadas para combater o desemprego. "O Orçamento para 2013 alargará o contributo para os encargos públicos com o nosso processo de ajustamento aos trabalhadores do sector privado, mas este alargamento tem directamente por objectivo combater o crescimento do desemprego."

O primeiro-ministro argumenta que o Orçamento do Estado para 2013 "não deixará ninguém de fora do esforço colectivo para o nosso ajustamento e traduzirá uma visão global de repartição dos sacrifícios".

O documento "incluirá medidas que afectam os rendimentos da riqueza e do capital e que tributam os lucros das grandes empresas, no seguimento do que foi feito já este ano”, afiançou o chefe do Governo, sem precisar  o que vai fazer.