O site da Renascença usa cookies. Ao prosseguir, concorda com o seu uso. Leia mais aqui.

Governo PSD/CDS "é o mais esquerdista”

04 out, 2012

Director do ISEG, João Duque, diz que o Executivo “retira rendimento às pessoas para o distribuir como entende" e critica aumento "brutal" dos impostos.
Governo PSD/CDS "é o mais esquerdista”

O economista João Duque apelida de “enorme brutalidade” os aumentos de impostos anunciados esta quarta-feira e considera que o Governo de coligação PSD/CDS é “mais esquerdista” que comunistas e bloquistas.

O director do Instituto Superior de Engenharia e Gestão (ISEG) explicou, na “Edição da Noite” da Renascença, porque é que os partidos de esquerda, que esta quinta-feira apresentam duas moções de censura, se poderão sentir indignados com o Executivo

“Curiosamente, eu agora que observo a política de uma outra maneira vejo os partidos mais à esquerda no Parlamento muito indignados com esta política, mas este Governo até parece que, fazendo isto, é o Governo mais esquerdista.”

No fundo, argumenta João Duque, “retira rendimento às pessoas para o distribuir como entende e não dá liberdade às pessoas para terem as suas decisões de consumo”.

“É um Governo que está muito à esquerda do Bloco de Esquerda e talvez seja esse o problema do Bloco, obviamente, isto analisando de uma perspectiva muito fria, no sentido de uma reacção muito negativa aos impostos”, sublinha o economista.

“Estratégia de empobrecimento dos portugueses”
Para José Reis, professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, as novas medidas de austeridade traçam uma estratégia de empobrecimento.

Ouvido pela Renascença, este economista fala numa “estratégia de empobrecimento dos portugueses” e num "quadro de terror injusto". Na sua opinião, o Executivo está a gerar uma economia “ferida de morte” que não produz receita.

Classe média paga a crise
Na opinião de Tiago Caiado Guerreiro, o novo agravamento de impostos vai ser “altamente penalizador da classe média e média alta, que trabalha por conta de outrem”.

Este fiscalista, em declarações à Renascença, descreve o efeito de “espiral negativa” da receita dos impostos que a quebra do consumo pode provocar e fala na necessidade de cortes nas despesas e privilégios.

“Já ultrapassámos tudo o que é admissível em termos de impostos”, remata Tiago Caiado Guerreiro.