Pirataria "causa prejuízos de 40 milhões" aos editores portugueses

05 mai, 2012 • Maria João Costa

Efeitos da pirataria no mundo do livro "são devastadores", afirma secretário de Estado da Cultura.
Pirataria "causa prejuízos de 40 milhões" aos editores portugueses
Pirataria "causa prejuízos de 40 milhões" aos editores portugueses
40 milhões de euros - é este o valor do prejuízo provocado pela pirataria nas editoras livreiras. Um número avançado pelo secretário de estado da cultura, Francisco José Viegas no programa "Ensaio Geral", que esta semana decorreu na Feira do Livro de Lisboa. Um programa que contou ainda com a presença da editora Maria do Rosário Pedreira e do escritor José Luis Peixoto, onde se falou ainda dos livros electrónicos, das dificuldades que as bibliotecas atravessam e do sucesso da Feira do Livro.

"Quarenta milhões de euros" é "o prejuízo causado pela pirataria" aos editores portugueses de livros, segundo diz à Renascença o secretário de Estado da Cultura, nas vésperas da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) apresentar um estudo sobre a questão.

“É preciso que as pessoas se apercebam do enorme crime que a pirataria representa. Eu penso que, na próxima semana, será apresentado pela APEL o primeiro estudo realizado por uma universidade sobre os efeitos da pirataria no mundo do livro e eles são devastadores”, diz Francisco José Viegas.

Em declarações ao programa “Ensaio Geral”, da Renascença, feito a partir da Feira do Livro de Lisboa, o governante adiantou que, “neste momento, calculamos que são cerca de 40 milhões de euros de prejuízo causados aos editores portugueses de forma directa pelos abusos cometidos pela pirataria”.

Francisco José Viegas confirma que o Governo quer ter a nova lei de combate à pirataria pronta até Setembro.

Bibliotecas pode ter de pagar direitos de autor
As bibliotecas portuguesas podem vir a ter de pagar direitos de autor pelos livros que emprestam, à semelhança no que acontece noutros países.

A possibilidade é equacionada pelo secretário de Estado da Cultura, no dia em que encerra no Estoril o Encontro da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas.

“Noutros países, as bibliotecas têm uma contribuição decisiva para o direito de autor, para as sociedades de gestão do direito de autor, porque têm de pagar pelos livros requisitados nas bibliotecas. Em Portugal ainda não foi adoptada essa directiva, mas, a breve prazo, terá de ser.”

Questionado se poderá ser pedido ao leitor o pagamento de uma taxa para levantar um livro na biblioteca, Francisco José Viegas explica que “é isso que está a acontecer em quase todas as bibliotecas do mundo”, mas, para já, a medida não vai ser implementada em Portugal.

Nestas declarações ao programa “Ensaio Geral”, da Renascença, o secretário de Estado da Cultura reconheceu os “problemas terríveis” que as bibliotecas portuguesas enfrentam, nomeadamente devido à falta de pessoal e a problemas de “aquisição de fundos”.