“A política cultural em Portugal tornou-se uma área que está sob amnésia. Não se sabe o que é, nem o que existe”. Manuel Maria Carrilho foi muito cáustico numa conferência na Universidade de Aveiro, ao abordar as perspectivas depois do fim do Ministério da Cultura, uma das primeiras decisões do Governo PSD-CDS e que tornam-se ainda mais negras com a dotação financeira da Secretaria de Estado.
O ex-ministro da Cultura acusa o Governo PSD-CDS de não ter uma política cultural. Numa crítica extensiva também à governação de José Sócrates, o antigo ministro sustenta que, na última década o Estado se demitiu das suas responsabilidades na cultura.
“Olho para o orçamento da Cultura e tenho um arrepio. É um orçamento indigente para as obrigações culturais do Estado, que se assemelha ao da Ópera de Paris. Pensar que o mecenato ajuda a resolver é uma ideia piedosa, em período de dificuldade económica", comentou.
O professor de Filosofia, que foi incumbido em 1995 pelo ex-primeiro-ministro António Guterres de criar o Ministério da Cultura, declara que “todas as inovações feitas pelo Governo António Guterres foram destruídas pelo Governo de José Sócrates”.
A decisão governamental de parar a barragem do Vale do Côa para preservar as gravuras rupestres, hoje, seria muito difícil ou mesmo impossível. Confidencias feitas por antigos primeiro ministros a Manuel Maria Carrilho, a que o próprio recorre para mostrar a perda de influência da cultura.