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As 222 palavras para não se perder com a crise

As palavras da crise pela boca dos portugueses - Reportagem de Ana Carrilho

"Dicionário das Crises e das Alternativas" é lançado esta segunda-feira. Saiba o que os portugueses têm a dizer sobre as palavras que mudam a vida de todos nós.
13-04-2012 19:09 por Ana Carrilho

O que vale uma promessa? "Nas promessas dos políticos não confio", diz um português ouvido pela Renascença na baixa de Lisboa. "Há quem faça promessas a Nossa Senhora de Fátima e só ela é que nos pode salvar", acrescenta outro transeunte.

"Promessa" é uma das 222 entradas do novo "Dicionário das Crises e das Alternativas", que vai ser lançado esta segunda-feira. O director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Boaventura Sousa Santos, diz que esta é a forma que encontrou para explicar aos cidadãos os inúmeros conceitos com os quais "são bombardeados" pela comunicação social.

E se acreditar em promessas não está fácil, os portugueses também pouco ou nada confiam, sobretudo nos políticos. O que, segundo o "Dicionário", é mau, porque a confiança é entendida como um valor moral que alicerça toda a sociedade e é a base da democracia. Ainda assim, há quem pense que é preciso confiar no futuro para fazer face à crise.

O que é a crise, que é uma das palavras analisadas pelo "Dicionário"? "Ah, essa é a palavra da moda", responde um dos inquiridos pela Renascença nas ruas de Lisboa. E o que é que crise provoca? "Mudança de hábitos, insegurança, medo... Medo de tudo", desabafa alguém aos microfones da Renascença. "Medo de não ter trabalho quando acabar a faculdade", receia uma jovem.

"O luxo" de ter trabalho
Quanto a trabalho, o "Dicionário" explica que é um elemento central da sociedade, de dinamização da economia e de dignificação do Homem. "Se há trabalho, não há crise; se há trabalho, não há medo de se perder o que se conquistou", defende um jovem imigrante brasileiro.

Com as taxas de desemprego a subir, para muitos "trabalho" é um "luxo" - termo que devia significar algo raro e quase inacessível, mas que hoje em dia já vale para dizer que "é um luxo ter trabalho". Talvez por isso mesmo alguns dos inquiridos pela Renascença mostrem um sorriso amarelado face à palavra.

Se não dá para luxos, será que dá para poupar (outro dos termos do "Dicionário") alguma coisa? “Como, se não há dinheiro?”, questionam uns, ao mesmo tempo que outros insistem na necessidade de controlar mais as despesas.

Há quem diga que os portugueses nem sempre mostram a sua revolta (outra das palavras do "Dicionário") perante tantas dificuldades. Apesar de insatisfeitos, boa parte dos entrevistados da Renascença mostrou-se conformado. A maioria dos inquiridos argumenta que a revolta "não leva a lado nenhum".

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Comentários (10)
  • » carla carvalho, Palmela, 14-04-2012 10:03

    Concordo totalmente com as palavras do w Teixeira acerca do comentário do imigrante brasileiro. Precisamos pessoas que queiram trabalhar e não apenas emprego, pessoas que não se contentem com subsídios e passam a vida nos cafés, com que dinheiro pergunto-me? É apenas fazer contas. Em alturas de crise todos temos que nos acomodar a viver com o que temos, eu fiz um gráfico e sei quanto posso gastar por dia e assim vivo dia a dia controlando para não ter dívidas nenhumas e para viver de cabeça levantada. Não falo contra as medidas porque não sou visionária, estas têm mesmo que ser aplicadas porque será que a maioria não percebe que sem medidas duras daqui a poucos anos não há dinheiro para as reformas e depois? Que fazer se isto acontecer? As acções têm que ser tomadas atempadamente, há mais de 5 anos que estas medidas deviam de ser tomadas. Acusam de dureza este governo porque fiscaliza e corta, eu não critico e infelizmente para mim há 3 anos que não tenho nem subsidido nem RSI nem reforma, estou a Zero e tive que adaptar a vida com o que o marido doente ganha. Penso que as pessoas têm que acordar para a realidade nua e crua que o país já devia de ter pensado nisto há mais tempo, mas infelizmente gostam de governos que dizem que está tudo bem e que não há crise!!! Acordar para a realidade e não lutar contra ela!
  • » Luciano Maciel, Almada, 14-04-2012 10:00

    Está a cheirar a bafio, a prosa de alguns comentários. Anda alguém a montar a confusão. Deve ser um dos muitos que frequentam o tacho do governo. Cheira-me a esturro, só não sei quando é que começa a festa. Espero que seja para breve o seu início.
  • » Postiga, Viseu, 14-04-2012 9:29

    De todo o texto, há o positivo : o comentário do brasileiro ( repleto de verdade , ciência e sabedoria da vida, aplicada no limite) e o negativo : " a revolta não leva a lado nenhum ", enfim ....o "tuga" no seu pior, o conformismo,...o deixa andar,...a mesma atitude que leva a que umas eleições tão fundamentais como as ultimas tivessem 44 % de abstenção, como diz o cavaco: ouviu bem? 44% de abstenção. não me digam que as pessoas estão desmotivadas, pois se fosse assim iam votar em branco. AS pessoas NAO QUEREM SABER! Estão conformadas em ser marionetas dos grupos influentes ( economicos, politicos, religiosos,...) A revolta vale sim. É preferivel morrer de pé do que viver de joelhos
  • » António Madureira, Porto, 14-04-2012 9:19

    Estou plenamente de acordo com a afirmação do jovem imigrante brasileiro. Eu já passei pela mesma situação à uns anos a trás e sobrevivi!
  • » Silva, Braga, 14-04-2012 1:44

    A maioria dos inquiridos argumenta que a revolta "não leva a lado nenhum".
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  • » Gaspar, Agueda, 14-04-2012 0:16

    Crise isso deve de ser moda das novas gerações classificadas nas chamadas Novas Tecnologias. Tenho lido constantemente neste fórum de que SOU engenheiro tenho 50 anos e não tenho emprego. Bem com esta mentalidade de que se tem que ter emprego para a sua alta posição que eles Estudantes querem de certo que não há. Se forem para Londres Paris Rio de Janeiro ou Canadá lá vão encontrar não só os nossos compatriotas como os naturais destes países a fazerem outros trabalhos que nada tem a ver com as suas aptidões para as quais se prepararam. Trabalhar, ganhar para a “Bucha” isso não falta até aqui em Portugal não é necessário ir para os Palops ou qualquer terra estranha aos nossos costumes. Aqui também se pode fazer e vender copos de Agua na praia como o faziam os nossos pais. Trabalho não falta até na agricultura e já não é necessário muita enxada há tratores para ajudar. Arregaçar as mangas isso é que custa. É mais fácil vivar á conta dos país ou do estado.
  • » Monteiro, Albufeira, 13-04-2012 22:58

    Agora querem ludibriar as pessoas, as falcatruas estam rolando a solta neste país, estar mesmo imoral, agora veem com conversas com cantigas de falsidades, a média tem que estar junto ao povo denunciando as falcatruas dando-lhes voz, o povo precisa da verdade, qualquer comunicação que estiver junto ao povão será mais ouvida, será mais lida e será mais assistida, hoje neste país precisamos da verdade e não de ilusionismos, a crise estar aqui devido o roubo do dinheiro público, o desvio do dinheiro é visto e notório, só não ver quem não quer.
  • » zeri, barcelos, 13-04-2012 21:57

    mais um que descobriu os tristes que somos ! agora comprem o tal dicionario alguem vai ficar contente com o negocio e talvez lancar outro livro de seguida que se chamara as 1001 maneiras de sair da crise !!!
  • » atento, Brg, 13-04-2012 21:38

    Este artigo, bem como aquele a que se cola para a notícia, é pobre, porque parco em conteúdo e interesse. Com efeito, o trabalho foi o primeiro esforço humano para a satisfação das suas necessidades. Por conseguinte não é um luxo ter trabalho, quando muito poderia apelidar-se disso o "emprego". A economia como ciência tem sofrido duros golpes infligidos pelos actuais "economistas", que de Economia, nada sabem. Bastará verificar aquilo a que se tem assistido.
  • » W Teixeira, RJ, 13-04-2012 20:47

    O jovem imigrante brasileiro é sábio: fala em trabalho e não em emprego. Ele já aprendeu, há muito, em seu país, que são duas coisas completamente diferentes. Ele também sabe que o emprego já acabou, faz tempo. Agora há trabalho, para quem está disposto a trabalhar, para viver com dignidade. Nas palavras do jovem imigeante brasileiro: "Se há trabalho, não há crise; se há trabalho, não há medo de se perder o que se conquistou".
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