Hungria interceptou mais de 8.700 refugiados no fim-de-semana

31 ago, 2015

País tornou-se num dos principais países de trânsito na UE para pessoas que tentam ir para a Áustria ou Alemanha. A maioria é oriunda do Iraque, Afeganistão, Síria e Kosovo.
Hungria interceptou mais de 8.700 refugiados no fim-de-semana
As autoridades húngaras interceptaram entre sexta-feira e domingo 8.792 refugiados que cruzaram a fronteira de forma ilegal e detiveram 36 pessoas por suspeita de tráfico de seres humanos, anunciou o Ministério da Administração Interna.

A Hungria anunciou no sábado a conclusão da barreira de arame farpado, destinada a impedir a entrada de milhares de migrantes concentrados junto à fronteira com a Sérvia.

Na semana passada, 10.000 pessoas atravessaram esta fronteira e nos últimos dois anos a Hungria tornou-se num dos principais países de trânsito na UE para migrantes que tentam ir para a Áustria ou Alemanha. A maioria é oriunda do Iraque, Afeganistão, Síria e Kosovo.

Um milhar de efectivos da polícia de fronteiras está actualmente destacado do lado húngaro e mais dois mil deverão estar operacionais a partir de 1 de Setembro, anunciou o Governo em Budapeste.

O crescente número de refugiados causou nos últimos dias tensões internas nas zonas de trânsito e nos campos que acolhem os milhares de pessoas que tentam entrar na Europa.

Budapeste convocou, esta segunda-feira, o embaixador francês depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros de França, Laurent Fabius, ter criticado no domingo a política húngara sobre migrações, sobretudo em relação aos refugiados, e defendeu que a barreira de arame farpado devia ser destruída.

Mais de 300 mil migrantes atravessaram o Mediterrâneo desde Janeiro e mais de 2.500 pessoas morreram no mar quando tentavam alcançar a Europa, segundo o último balanço do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). "O número de refugiados e migrantes que atravessaram o Mediterrâneo este ano já ultrapassou os 300 mil, cerca de 200 mil chegaram à Grécia e 110 mil a Itália", contra cerca de 219 mil em 2014, disse uma porta-voz do ACNUR, Melissa Fleming, num encontro com a imprensa.