|

Xeique Munir: "Se não estão satisfeitos em viver num país liberal, podem emigrar"

07 jan, 2015

Imã da Mesquita de Lisboa critica "actos bárbaros" que "utilizam o Islão de forma negativa", denigrindo a "mensagem da tolerância e da paz que ele transmite".

Xeique Munir: "Se não estão satisfeitos em viver num país liberal, podem emigrar"
A comunidade muçulmana de Lisboa está chocada com o ataque ao jornal satírico francês "Charlie Hebdo", que fez 12 mortos, e cujos atiradores terão gritado "vingámos o profeta", de acordo com testemunhas citadas pelo jornal "Le Parisien".

"Estamos chocados porque não esperávamos que isto acontecesse e estas pessoas – que ainda não sabemos quem são, mas se forem muçulmanos preocupa-nos ainda mais – estão a denegrir a imagem do Islão", disse à Renascença o Xeique David Munir.

O Imã da Mesquita de Lisboa criticou estes "actos bárbaros de crueldade", que não são compatíveis com o ambiente de liberdade dos países liberais.

"Se não estão satisfeitos em viver num país liberal, podem emigrar e deixem-nos em paz", afirmou peremptório.

Na sua opinião, os autores do ataque "utilizam o Islão de forma negativa" e denigrem a "mensagem da tolerância e da paz que ele transmite".

O representante da comunidade muçulmana de Lisboa aponta uma solução para estes movimentos extremistas, que passa pela "educação, integração e fazer ver as pessoas de que é possível conviver com o seu próximo, independentemente da crença que tem".

"A minha liberdade acaba onde começa a liberdade do outro", lembra.

O atentado desta quarta-feira em Paris provocou, pelo menos 12 mortos, entre os quais dos agentes da polícia e quatro cartoonistas. Há oito feridos, quatro em estado grave.

Ao que tudo indica, dois homens armados com metralhadoras kalashnikov e um lança-rockets atacaram, esta quarta-feira cerca das 11h30 locais, a sede do jornal. O ataque ainda não foi reivindicado e os suspeitos conseguiram fugir.

O “Charlie Hebdo” publicou em 2011 caricaturas de Maomé, que tinham saído originalmente nas páginas de um jornal dinamarquês. Um episódio originou uma grande polémica e ameaças por parte de fundamentalistas islâmicos.