“Orçamento não teve apoio dos ministros e secretários de Estado do CDS”

17 out, 2012 • André Rodrigues

Em declarações à Renascença, o vice-presidente do partido, José Manuel Rodrigues, critica o "aumento brutal de impostos" e defende alterações ao que diz ser um "orçamento  "desfasado da realidade".

O vice-presidente do CDS garante que os ministros e secretários de Estado centristas não concordaram com a proposta de Orçamento do Estado para 2013 entregue, segunda-feira, no CDS.

“Eu acho que é importante que os dois partidos possam agora, a nível do Parlamento, alterar a proposta de Orçamento apresentada pelo Governo, que é má e que não teve, obviamente, o apoio dos ministros e dos secretários de Estado do CDS”, afirmou José Manuel Rodrigues, em declarações à Renascença.

Para o dirigente do CDS, “mais vale uma crise política neste momento, que dê origem a uma solução política idêntica, mas que tenhamos um novo Orçamento”.

José Manuel Rodrigues considera que esse cenário é preferível a “estarmos perante um Orçamento do Estado desfasado da realidade, com um aumento brutal de impostos como este apresentado agora pelo Governo na Assembleia da República”.

Questionado pela Renascença, o vice-presidente do CDS admite a possibilidade do partido não votar favoravelmente o Orçamento e que "em último caso possa haver uma ruptura na coligação" governamental.

José Manuel Rodrigues lembra que a receita do Governo já deu maus resultados e teme que a pequena abertura para alterar o Orçamento não seja suficiente para que o CDS vote favoravelmente este Orçamento.

“Eu vejo que o Sr. ministro das Finanças já recuou na afirmação de que o Orçamento do Estado não era alterável na Assembleia da República. Afinal, já é possível apresentar propostas, fazer cortes na despesa, eventualmente, para que possamos ter menos carga fiscal”, afirmou o dirigente centrista.

“Já é um sinal positivo, mas não sei se vai ser suficiente para o CDS dar o seu voto favorável a este Orçamento do Estado, até porque estamos perante uma receita que já deu maus resultados em 2012 e que pode dar maus resultados no próximo ano. Isto é, podemos estar no final de 2013 a discutir outra vez novas medidas de austeridade”, sublinhou José Manuel Rodrigues.