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Há motivo para preocupações? “O Montepio é um banco seguro”

27 jul, 2015 • Sandra Afonso

Em entrevista à Renascença, o administrador João Neves rejeita que o banco esteja a ser alvo de uma teoria da conspiração e justifica a avultada perda de depósitos registada este ano.
O Montepio garante que não há motivo para preocupações: o banco é seguro. A garantia parte do administrador João Neves, o único elemento da anterior gestão que vai continuar na Caixa Económica, agora separada da Associação Mutualista.

Em entrevista à Renascença, este administrador rejeita que o banco esteja a ser alvo de uma teoria da conspiração, apesar das notícias negativas de que tem sido alvo, e justifica a avultada perda de depósitos registada este ano. João Neves recusa ainda falar em auditoria forense e relativiza a perda de poder do antigo presidente, Tomás Correia, que sai do radar do Banco de Portugal.

João Neves reconhece que as pessoas estão nervosas, mas garante que não há razões para isso. “O Montepio é um banco seguro. Aliás, é um banco cuja Associação Mutualista, que é única proprietária dos direitos económicos da caixa económica MG. Já habituou os portugueses a um registo de muita confiança, muita resiliência. Atravessaram crises enormes, e esta será mais uma crise ultrapassada”, assegura.

Este administrador é o único que transita da anterior gestão, presidida por Tomás Correia, para a nova equipa e foi também o último a entrar, já depois dos créditos de 2013 e 2014, que alegadamente levantaram suspeitas ao Banco de Portugal.

Sobre a auditoria forense anunciada pelo governador Carlos Costa, nem uma palavra. João Neves prefere falar em auditoria especial, a única que conhece, à gestão e parte da carteira de crédito do banco.

Só em depósitos, o Montepio perdeu quase 350 milhões de euros nos primeiros três meses, mas isso está em linha com a estratégia do banco, que decidiu descer os juros oferecidos.

O Montepio apresenta prejuízos desde 2013, mas João Neves lembra que há bancos que apresentam prejuízos já há quatro anos.

João Neves minimiza o afastamento do antigo presidente do Montepio da administração da caixa económica, uma decisão confirmada na semana passada, dias depois do jornal “Público” avançar que o Banco de Portugal estava a avaliar a idoneidade de administradores do Montepio, entre eles Tomás Correia.

A instituição desmentiu no próprio dia. Agora, João Neves diz que o afastamento de Tomás Correia já estava previsto. “Estava prevista há algum tempo. O próprio presidente comunicou aos média a sua vontade de permanecer apenas ligado à Associação Mutualista no quadro de transição das alterações estatutárias iniciadas em 2012 e concluídas agora em Maio. Dedicar-se-á, e já não é tarefa pouca, à cabeça do grupo que é a Associação Mutualista, que tem não só um banco, mas duas companhias de seguros e actividades não-financeiras.”

A nova gestão da caixa, depois de aprovada em Assembleia-geral, ainda terá de passar pelo crivo do Banco de Portugal, que vai avaliar a idoneidade de cada um. Tomás Correia optou por manter a presidência da Associação Mutualista, que neste momento não tem regulador.

Apesar de ter duas seguradoras, está sob a tutela do Ministério da Solidariedade Social, que ainda não se entendeu com o Ministério das Finanças sobre o modelo de supervisão a adoptar, para que as duas associações mutualistas possam ser reguladas pela Autoridade de supervisão de seguros e Fundos de Pensões.

Ao que a Renascença apurou, o diploma está a ser preparado há cerca de um ano. Neste momento, está praticamente pronto, mas ninguém arrisca uma data para aprovação.