Ataque contra jornal faz pelo menos 12 mortos em França

07 jan, 2015 • Ricardo Vieira, Carla Caixinha e Conceição Sampaio

Homens armados abriram fogo nas instalações do jornal satírico "Charlie Hebdo" e fugiram.
Ataque contra jornal faz pelo menos 12 mortos em França
Ataque contra jornal faz pelo menos 12 mortos em França
A polícia francesa montou uma gigantesca operação para encontrar os responsáveis pelo tiroteio que matou pelo menos 12 pessoas em Paris. As autoridades alertam para o facto de estes homens estarem armados e serem extremamente perigosos.
Pelo menos 12 pessoas morreram e 20 ficaram feridas num tiroteio registado na sede do jornal satírico "Charlie Hebdo", em Paris, avança a polícia. O ataque aconteceu pelas 11h30 locais.

Entre as vítimas mortais estão dois polícias e jornalistas e cartoonistas do semanário. Há cinco feridos entre a vida e a morte.

O Presidente francês deslocou-se ao local da tragédia. "A França está em choque", declarou. Francois Hollande não tem dúvidas de que se trata de um atentado terrorista, que ainda não foi reivindicado.

O chefe de Estado anunciou um reforço da segurança noutros órgãos de comunicação social, em resultado do ataque desta quarta-feira ao final da manhã. As escolas foram encerradas, como medidas de precaução.

O atentado foi levado a cabo por dois homens encapuzados, que invadiram as instalações do semanário, perto da estação de Metro Richard-
Lenoir.

"Homens armados e encapuzados entraram no edifício com metralhadoras kalashnikovs", disse à agência Reuters uma testemunha, Benoit Bringer. Adiantou que passados alguns minutos ouviu tiros e viu os suspeitos a fugir.

De acordo com testemunhas citadas pelo jornal "Le Parisien", os autores do ataque gritaram a frase: "Vingámos o profeta".

"Acto terrorista"
Foi agendada para as 14h00 uma reunião do Governo no Palácio do Eliseu.

Os ministros do Interior, Bernard Cazeneuve, e o da Cultura, Fleur Pellerin, também já se deslocaram ao local da tragédia.  "Estamos perante um acto terrorista", declarou o ministro do Interior aos jornalistas.

O antigo Presidente, Nicolas Sarkozy, já reagiu ao atentado e fala num atentado “selvagem” contra um dos princípios republicanos mais caros, a liberdade de expressão. “A nossa democracia está sob ataque, devemos defendê-la com firmeza absoluta e a resposta possível. Os culpados destes actos bárbaros devem ser castigados com a maior severidade”, afirmou.

Em declarações à SIC Notícias, o vereador da Câmara de Paris Hermano Sanches Ruivo disse que os motivos para o ataque ainda não são conhecidos e recordou as polémicas em que esteve envolvido o jornal satírico. A mais recente aconteceu na semana passada, quando o "Charlie Hebdo" publicou caricaturas sobre a morte do general Charles de Gaulle.

O jornal satírico foi ameaçado por radicais islâmicos por ter publicado, em 2011, caricaturas do profeta Maomé.

Um cartoon com o líder do EI
A última partilha do jornal nas redes sociais é um cartoon onde pode ver-se o líder do autoproclamado Estado Islâmico Al-Baghdadi. Foi publicado pelas 10h12 (hora de Portugal continental) no Facebook e também no Twitter. No cartoon pode ler-se "Já agora, os melhores votos". "E sobretudo, saúde".


O cartoon com Al-Baghdadi

O “Charlie Hebdo” publicou também na última noite a capa da edição desta quarta-feira do jornal.


A capa da edição desta quarta-feira