Reitor de Lisboa arrasa processo de avaliação das unidades de investigação

24 jul, 2014

À Renascença, António Cruz Serra quebra o silêncio que mantinha sobre o assunto por "não aguentar" ter lido determinadas declarações do presidente da FCT.
Reitor de Lisboa arrasa processo de avaliação das unidades de investigação

O reitor da Universidade de Lisboa diz que o processo de avaliação das unidades de investigação, levado a cabo pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), "é lamentável" e vai resultar na "liquidação de uma parte do nosso sistema científico".

António Cruz Serra decidiu quebrar, em declarações à Renascença, o silêncio que mantinha sobre o assunto, por "não aguentar" ter lido determinadas declarações do presidente da FCT.

"Não aguentei ver escrito, numa entrevista ao presidente da FCT, que havia uma maioria silenciosa que apoiava o resultado da avaliação. Eu fazia parte dessa maioria silenciosa, mas não apoio, de maneira nenhuma, o processo que foi conduzido de forma pouco profissional, pouco eficiente e baseada numa política inaceitável", desabafa o reitor.

Para Cruz Serra, este processo vai "virar o sistema de pernas para o ar", caindo, assim, o país, "mais uma vez", em algo que "tem constituído uma das bases do nosso insucesso", porque "desta política não ficará nada, quando mudar o Governo e a direcção da FCT".

Classificando o processo de "lamentável" em três frente - na "política definida", na "aplicação da avaliação" e na "seriedade da avaliação - o reitor da Universidade de Lisboa sublinha que, "tendo sido especificado no contrato com a agência de avaliação que metade das unidades não passava à segunda fase", seria preciso "seriar as unidades", algo que não se verificou, uma vez que cada avaliador "avaliou uma ou duas unidades".

Nestas declarações à Renascença, António Cruz Serra acusa ainda que a maioria dos avaliadores não é "especialista da área da avaliação".

O reitor da Universidade de Lisboa apela ao primeiro-ministro para que coloque um fim a este processo de avaliação: "Apelo a que o nosso Governo e, nomeadamente, o primeiro-ministro consiga perceber que o resultado desta operação será a liquidação de uma parte do nosso sistema científico".