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Balkrishna Doshi vence "Nobel" da Arquitetura

07 mar, 2018 - 15:55

Arquiteto indiano galardoado com o ​Prémio Pritzker 2018
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O arquiteto indiano Balkrishna Doshi, autor de mais de uma centena de projetos em 70 anos de carreira, foi esta quarta-feira distinguido com o Prémio Pritzker 2018, anunciou o júri do galardão mais importante para a arquitetura.

Doshi é o primeiro indiano a ser distinguido com o Pritzker.

Foi escolhido por ter sabido "interpretar a arquitetura, e transformá-la em construções que respeitam a cultura oriental, melhorando a qualidade de vida na Índia", refere o júri daquele que é considerado o "Nobel" da Arquitetura.

Arquiteto, urbanista e professor, nascido em Pune, na Índia, em 1927, foi distinguido igualmente pela sua "excecional arquitetura", o "compromisso e dedicação ao país de origem e comunidades", pela "influência como professor" e "excelente exemplo para profissionais e estudantes de todo o mundo".

Balkrishna Doshi nasceu na cidade indiana de Pune, em agosto de 1927, numa grande família hindu que trabalhava na indústria do mobiliário.

O jovem Doshi manifestou um interesse pela arte e entendimento pelas proporções. Um professor levou-o a começar a interessar-se por arquitetura.

Começou a estudar arquitetura em Bombaím e prosseguiu a sua formação em Londres, no Royal Institute of British Architects, sob a batuta do mestre Le Corbusier.

Regressou ao seu país natal em 1954 e abriu o seu escritório de arquitetura, onde seguiu uma linha de respeito pela história e cultura da Índia e expressou as suas influências de infância na oficina de mobiliário do avô.

Em 1978, Balkrishna Doshi fundou a Fundação Vastushilpa para Estudos e Pesquisa em Projeto Ambiental, com vista a desenvolver abordagens de planeamento e projeto adequadas ao contexto cultural indiano.

Entre as dezenas de edifícios que assinou ao longo da carreira, incluem-se instituições públicos, complexos habitacionais, espaços públicos, galerias de arte e residências privadas.

Desenvolveu o projeto de Habitação de Baixa Renda Aranya, em Indore, concluído em 1989, com uma rede de casas, pátios e percursos internos que deu habitação a mais de 80 mil pessoas de baixa e média renda, o que rendeu a Doshi o Prêmio Aga Khan de Arquitetura de 1993-1995.

Balkrishna Doshi destaca obras como Sangath, o seu estúdio construído em 1980 na cidade de Ahmedabad.

“Sangath combina imagens e de associações de estilos de vida indianos. O campus integra-se e as memórias dos lugares visitados colidem, evocam e ligam episódios esquecidos. Sangath é uma escola em curso onde se aprende, desaprende e reaprende-se. Tornou-se um santuário de cultura, arte e sustentabilidade onde a pesquisa, as instalações institucionais e a sustentabilidade máxima são enfatizadas”, disse o arquitecto citado pelo site do Prémio Pritzker.

O Pritzker, equiparado ao Prémio Nobel no campo da arquitetura - no valor monetário de 100 mil dólares (80 mil euros) e uma medalha de bronze - é atribuído desde 1979, e distinguiu já arquitetos como os portugueses Álvaro Siza e Eduardo Souto Moura, e ainda Rem Koolhaas, Frank Gehry, Peter Zumthor, Zaha Hadid, Oscar Niemeyer, Norman Foster, entre outros.

O júri deste ano foi presidido por Glenn Murcutt, e ainda composto por Stephen Breyer, André Aranha Corrêa do Lago, The Lord Palumbo, Richard Rogers, Sejima Kazuyo, Benedetta Tagliabue, Ratan N.Tata, Wang Shu e Martha Thorne.

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